Sexta-feira, 03 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de abril de 2026
China e a Rússia responderam nessa quinta-feira (2) ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sobre a guerra no Irã. Pequim afirmou que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã são a “causa principal” do bloqueio do Estreito de Ormuz. Já Moscou, maior aliado do regime iraniano, disse estar “pronto para ajudar” a resolver o conflito.
“A raiz do problema das interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz são as operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Somente por meio de um cessar-fogo e da conquista de paz e estabilidade na região do Golfo é que a segurança e o funcionamento fluido das rotas marítimas internacionais podem ser garantidos de forma fundamental”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Mao Ning, ao ser questionada por jornalistas sobre os comentários de Trump.
A fala de Ning foi uma “cutucada” diplomática a Washington, porque Trump “lavou as mãos” sobre o Estreito de Ormuz estar fechado, e jogou para o mundo a responsabilidade pela reabertura da importante via marítima.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia está pronta para contribuir para a resolução da guerra. “Se nossos serviços forem de alguma forma necessários, estamos, naturalmente, prontos para dar nossa contribuição para que a situação militar transite para um caminho pacífico o mais rápido possível”, afirmou.
Ning também voltou a pedir um cessar-fogo imediato na guerra no Oriente Médio, e repudiou ameaças de escalada contra o Irã feitas por Trump —em discurso televisionado, o líder norte-americano voltou a dizer que poderia fazer ataques a usinas de eletricidade caso não haja acordo de cessar-fogo.
“Meios militares não podem resolver fundamentalmente o problema, e a escalada dos conflitos não está no interesse de nenhuma das partes. Mais uma vez, pedimos às partes envolvidas para cessar imediatamente as operações militares e iniciar o processo de negociações de paz o mais rápido possível”, afirmou Ning.
Trump vem criticando os líderes europeus por se recusarem a enviar navios militares para reabrir o Estreito de Ormuz. Na avaliação dos europeus, no entanto, esse problema foi criado por EUA e Israel, e não compete a eles colocar seus soldados dentro do teatro de operações.
Discurso de Trump
Na quarta-feira (01), Trump afirmou em discurso que os objetivos de guerra no Irã, o que chamou de “sucesso”, estão próximos de serem atingidos. Também disse que os Estados Unidos não dependem mais do petróleo da região.
As ações caíram, os preços do petróleo dispararam e o dólar se valorizou depois que Trump afirmou que as operações militares seriam intensificadas nas próximas duas a três semanas, sem oferecer um cronograma concreto para o fim das hostilidades que desencadearam o caos no fornecimento global de energia e ameaçaram levar a economia mundial a uma espiral descendente.
Trump também ameaçou atacar alvos da infraestrutura de energia iraniana, caso não haja um acordo com Teerã: “Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram”. (Com informações do g1 e SBT News)