Quinta-feira, 05 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de março de 2026
A China definiu nesta quinta-feira (5) a menor meta de crescimento econômico em décadas ao anunciar que pretende alcançar uma expansão entre 4,5% e 5% em 2026. A projeção reflete o cenário de demanda interna enfraquecida e de incertezas no ambiente global enfrentado pela segunda maior economia do mundo.
A nova estimativa sucede três anos consecutivos de metas “em torno de 5%”, entre 2023 e 2025, período em que o país conseguiu atingir os objetivos oficiais, apesar da recuperação lenta após os rígidos controles adotados durante a pandemia de Covid-19 e das tensões comerciais com os Estados Unidos, intensificadas no governo de Donald Trump. Ainda assim, o ritmo de crescimento chinês vem mostrando desaceleração mais ampla, pressionado por uma crise prolongada no setor imobiliário, queda nos investimentos, consumo enfraquecido e episódios de deflação.
Desde o início da pandemia, o governo não demonstrava tanta cautela nas projeções. Em 2020, com a economia praticamente paralisada pela Covid-19, as autoridades optaram por não estabelecer uma meta numérica de crescimento. O objetivo anunciado agora é o mais baixo desde que Pequim passou a divulgar metas formais, no início dos anos 1990.
O primeiro-ministro Li Qiang afirmou que o país enfrenta um ambiente desafiador, ao discursar na abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o principal órgão legislativo chinês. Segundo ele, a economia demonstrou resiliência nos últimos anos, mas o cenário atual é marcado por choques externos e dificuldades internas que exigem escolhas políticas complexas.
Durante a reunião, que reúne cerca de 2.900 delegados, deve ser aprovado o novo Plano Quinquenal, documento que orienta as prioridades econômicas e sociais do país para os próximos anos. A estratégia busca reforçar a transição para um modelo baseado em tecnologia, inovação e maior autonomia produtiva.
O encontro ocorre semanas antes de uma visita prevista de Donald Trump a Pequim, onde deverá se reunir com o presidente Xi Jinping para discutir temas como comércio, tecnologia e a questão de Taiwan.
Após iniciar reformas econômicas no fim da década de 1970, a China registrou quase três décadas de crescimento acelerado, em muitos anos acima de dois dígitos. Em 2010, o país superou o Japão e consolidou-se como a segunda maior economia do mundo. Na última década, porém, o ritmo perdeu força, afetado por mudanças estruturais internas e pelo impacto da pandemia, enquanto a Índia passou a liderar entre as grandes economias emergentes em termos de expansão.