Segunda-feira, 02 de Março de 2026

Home Brasil Chuvas são maior causa de morte por desastre climático no Brasil

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O Brasil registrou 7.539 desastres climáticos entre 2020 e 2023, um aumento de 222% em relação às 2.335 ocorrências da década de 1990. No mesmo período, a proporção de municípios afetados saltou de 27% para 83%. As chuvas foram responsáveis por 86% das mortes registradas em desastres climáticos no país. Entre 2020 e 2023, cerca de 8,7 milhões de pessoas ficaram desabrigadas em função das enchentes. Nos eventos de 2025 foram quase 337 mil pessoas diretamente impactadas e mais de R$ 2,9 bilhões em danos materiais, com destaque para o Sudeste, que concentrou R$ 1,1 bilhão do total.

As chuvas de 2025 fizeram o maior número de vítimas fatais em Ipatinga, Minas Gerais, com 10 mortos em janeiro. O maior contingente de feridos e doentes – 5.202 pessoas – foi em Manacapuru, no Amazonas. O maior número de desabrigados também é do Amazonas -em Beruri, com 4.039 pessoas afetadas por inundações em julho e também com os maiores prejuízo em unidades habitacionais -R$ 33,6 milhões.

Este sumário sombrio está no relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”, de fevereiro de 2026. É o segundo do gênero feito pelos pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden.

“O calcanhar climático do Brasil são os deslizamentos de terra”, diz o climatologista Jose Marengo, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, o IPCC, e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden. “No Brasil, nossos desastres são climáticos. E os que matam mais gente, todos os anos, são as enxurradas e os deslizamento de terra”, diz ele. Mais de três mil pessoas perderam as casas. Não se sabe ao certo quanto choveu, porque o pluviômetro saturou em 420 mm só com as águas de 18 de março, mas as chuvas haviam se intensificado na véspera.

O maior desastre climático brasileiro, em número de mortos, aconteceu em Caraguatatuba, no litoral paulista, em março de 1967. O número oficial de mortos nos deslizamentos é de 436 pessoas, mas pode ser maior. Mais de três mil pessoas perderam as casas. Não se sabe ao certo quanto choveu, porque o pluviômetro saturou em 420 mm só com as águas de 18 de março, mas as chuvas haviam se intensificado na véspera. O desastre em Caraguatatuba e os incêndios dos edifícios Andraus e Joelma, no centro de São Paulo, resultaram na criação da Defesa Civil do Estado de São Paulo.

“Tragédias que se repetem nas mesmas áreas e época, o verão”, Jose Marengo.

“Resolvemos fazer uma espécie de sumário de desastres e ocorrências hidrológicas e geológicas de 2025”, diz o cientista. “A ideia é fazer um raio-x da situação e às vezes aparecem algumas mensagens com relatos de eventos que ocorreram no passado, como zona da Mata de Minas Gerais, por exemplo. É uma zona bastante vulnerável”, confirma.

Segundo o Cemaden, Minas Gerais é o estado brasileiro com maior número de cidades sob risco durante o período chuvoso. Dos 853 municípios mineiros, 283 estão mais suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações, o que representa perigo para cerca de 1,4 milhão de pessoas.

Ao todo, diz o relatório, 1.942 cidades do Brasil estão expostas a riscos geo-hidrológicos – deslizamentos de terra, enxurradas e inundações. Somadas, as populações desses municípios chegam a 148,9 milhões de pessoas, sendo que, para 8,9 milhões (6%), há potencial de ocorrência de desastres.

“São tragédias que se repetem nas mesmas áreas e na mesma época, porque ainda estamos no verão”, diz Marengo. Ele resume os elementos das tragédias: a chuva, como ameaça; a exposição – casas em áreas de risco, nas proximidades de morros., encostas e córregos – e vulnerabilidade -idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção. O pior cenário é o aumento de extremos climáticos, da vulnerabilidade e da exposição, como vem acontecendo.

Ele segue: “Infelizmente, vulnerabilidade e exposição não são elementos que podemos projetar com um supercomputador ou fazer uma previsão, porque isso depende de políticas e ações de governo e do gerenciamento de desastres. É o componente político e essa parte é a mais difícil da equação”, explica o cientista. Com informações do portal Valor Econômico.

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