Quinta-feira, 12 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de março de 2026
A história de Pânico 7 começou muito antes da estreia nos cinemas. O longa, que é na verdade o terceiro de uma nova trilogia que começou em 2022, enfrentou graves problemas de produção após a demissão da protagonista Melissa Barrera. A atriz fez postagens a favor da Palestina e contra Israel, irritando a produtora Spyglass e causando sua demissão. Logo em seguida, Jenna Ortega também decidiu sair do projeto, assim como o diretor Christopher Landon, que chamou o filme de “pesadelo”.
Tudo isso, infelizmente, está refletido no novo longa-metragem, o pior capítulo da franquia. A história simplesmente abandona a interessantíssima jornada de Sam Carpenter (Barrera) e volta a focar quase que exclusivamente em Sidney (Neve Campbell), a protagonista dos primeiros filmes de Pânico. Para isso, o diretor Kevin Williamson (roteirista dos filmes de 1996 e 1997) assume a batuta e cria toda uma nova história de vida pra personagem.
Sidney agora é casada com Mark, um policial – e não, não é o Mark de Patrick Dempsey, que alegou “motivos de agenda” para não reprisar seu papel –, e tem três filhos. Um deles, a jovem Tatum (Isabel May), também ganha peso de protagonista. Ela insiste em querer saber o passado da mãe, enquanto esta tenta escondê-lo a todo o custo. E aí, quando Ghostface começa a atacar, ela precisará buscar uma força sobrenatural para suportar o embate.
Olhos pra trás
Pânico 7 é, assim, um filme que olha excessivamente para o passado. Apesar da primeira cena colocar fogo na clássica casa de Woodsboro, todo o restante do longa-metragem fica olhando pelos ombros e buscando novos meios de despertar nostalgia no público e fazer com que esqueçam toda a fragilidade da produção. E quantas fragilidades! Williamson pode ter sido um bom roteirista nos primeiros filmes, mas passa longe de ser um bom diretor – não sabe criar atmosfera, dar sustos e sequer fazer com que Ghostface seja divertido.
Com tantos elementos do passado, muitos recriados a toque de caixa por Williamson, toda a trama fica engessada, esquisita. Sidney, que tinha aparecido bem pouco nos outros dois filmes e que tinha tudo para ser a rival de Sam, caso esta abraçasse realmente seu lado sombrio, é construída de qualquer jeito. A filha Tatum, que não tinha aparecido, precisa ter seu drama familiar desenvolvido todo no primeiro ato, para depois ver se convence o público de como está sofrendo. E já adianto: não convence e sequer desperta interesse.
Pior do que isso, Williamson invoca os mortos para tentar fazer Pânico 7 ser mais interessante. Usando a inteligência artificial como desculpa (sempre!), o cineasta faz com que nomes mortos de outros filmes reapareçam como ameaças ou até mesmo fantasmas. Beira o ridículo, principalmente quando fica perceptível toda a artimanha por trás e como os atores “renascidos” simplesmente não estão na mesma frequência que a história exige.
O longa-metragem, assim, assume a sina que nasceu durante os embates que surgiram nos bastidores. Sem história para contar, cria e recria personagens e não avança. E, convenhamos, Sidney é bem menos interessante que a Laurie de Jamie Lee Curtis, em Halloween – ao longo dos anos, pouco foi criado e muito foi destruído ao redor da personagem. Mudar isso agora, no desespero, só mostra a fragilidade da produção.
Com isso, Pânico 7 fecha essa nova trilogia da franquia de terror com um gosto amargo na boca, lembrando um pouco o que foi Star Wars: Os Últimos Jedi e, depois, o tenebroso A Ascensão Skywalker. Produtoras e estúdios mais preocupados em mandar do que em criar causam isso: matam franquias, decepcionam o público, não ousam. No final, quem diria, Halloween foi a melhor retomada de uma franquia de terror nos últimos anos. Pânico 7, uma pena, parece mais Todo Mundo em Pânico do que qualquer outra coisa. A ver, agora, como fica o futuro de Ghostface, Sidney e cia. No entanto, parece mais sombrio do que nunca.