Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home Economia Com alta dos juros, empresas brasileiras refinanciam pelo menos 40 bilhões de reais em dívidas

Compartilhe esta notícia:

Oi, Novonor e Grupo Paranapanema estão entre as empresas que vieram a público nas últimas semanas anunciar a renegociação de dívidas, que somam mais de R$ 40 bilhões. A Gol também trabalha para mudar o vencimento de US$ 425 milhões em títulos de dívida que vencem em 2024.

A motivação de cada uma das renegociações tem origem distinta, mas são movimentos que ilustram o impacto causado pelas altas nas taxas de juros no Brasil e no exterior no desempenho financeiro e operacional das companhias, bem como no apetite de bancos e investidores em aportar recursos novos em ativos de maior risco. Especialistas avaliam tratar-se apenas do começo de um novo ciclo de rolagens de dívidas, reorganizações corporativas e pedidos de recuperação judicial.

O pano de fundo extrapola a pandemia. Companhias que tomaram empréstimos a taxas mais baixas passaram os últimos dois anos rolando dívidas com juros mais elevados. No Brasil, o aperto monetário começou em março de 2021: a taxa básica foi de 2%, naquela ocasião, para 13,75% este ano.

Com a perspectiva de manutenção da Selic em patamar ainda alto no ano que vem e o ambiente externo permeado de incertezas, empresas que tinham expectativa de reduzir o custo da rolagem de dívidas e aquelas que já entendem que não terão fôlego voltam à mesa com os credores.

Rodrigo Carvalho, sócio-gerente do escritório Winston & Strawn, diz esperar “uma nova onda de reestruturação de dívidas de empresas”. A anterior acompanhou as investigações da Lava-Jato. Apesar de não acreditar em renegociações da mesma magnitude, ele diz que o cenário “depende de quando a Selic vai começar a cair e quanto tempo irá demorar para os juros americanos pararem de subir”.

O sócio e diretor da Virtus BR Partners Douglas Bassi diz que havia otimismo com o desempenho da economia para 2022, mas a guerra na Ucrânia trouxe aumento no custo de matérias-primas. Houve necessidade de readequação financeira, diz, em um novo cenário no qual a geração de caixa não faz frente às dívidas tomadas com juros de dois dígitos e que, agora, precisam ser pagas.

Enquanto o novo governo se prepara para a posse, grande parte das empresas aguarda os desdobramentos da condução da economia em 2023, antes de partir para uma renegociação definitiva de suas dívidas.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Governo federal diz que Bolsonaro deseja “força e fé” a familiares e amigos de Pelé
Setor de telecomunicações planeja investir 35 bilhões de reais em 2023
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play

No Ar: Pampa Na Madrugada