Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

Home em foco Com eleições municipais em vista, Lula cobra pressa em realizações de ministros

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Após um primeiro ano marcado por crises políticas e pela discussão da pauta econômica no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu os ministros de que chegou a hora de apresentar resultados e cobrou agilidade. Preocupado com as eleições municipais, ele vai adiar mudanças no primeiro escalão para que os auxiliares se concentrem nas entregas, dentro do prazo eleitoral, a fim de ajudar aliados a se elegerem em outubro.

No pronunciamento de fim de ano, Lula afirmou que criou as condições para uma “colheita generosa em 2024”. Por isso, para ampliar as chances de que alguns ministros mostrem a que vieram, a reforma ministerial que havia sido planejada para o começo do ano vai se restringir, por enquanto, à substituição do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que tomará posse no Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro.

Na última reunião ministerial do ano, no dia 20, Lula observou que tem relação de confiança com seus ministros, e que lhes deu autonomia para montarem as equipes. Porém, alertou que a fase de “ajustes” expirou, e, portanto, eles devem substituir os auxiliares que não estiverem sendo produtivos. Para um auxiliar palaciano, foi um recado aos ministros de que ele prefere não mexer agora na equipe, mas pode rever os planos.

Nos bastidores, Lula está irritado com a lentidão de muitos auxiliares. Em evento no dia 22, com catadores de material reciclável, o presidente reafirmou que tem “pressa”, e que os ministros foram escolhidos para “atender aos interesses do povo”. Mas alertou que se eles deixarem a “burocracia dos ministérios dizer quando vai acontecer as coisas, as coisas não acontecem”.

A preocupação com a velocidade das ações não é aleatória. Pela lei eleitoral, Lula e seus ministros não podem participar de solenidades de entregas de obras públicas, com a presença de seus candidatos a prefeito e vereador, nos três meses que antecedem o pleito. Por isso, Lula quer agilidade nas entregas, sobretudo em relação às obras de maior visibilidade – e com maior impacto eleitoral -, como as residências do Minha Casa, Minha Vida, inaugurações de obras de segurança hídrica no Nordeste, e de trechos de rodovias.

Na mesma reunião ministerial, em trecho da fala presidencial que foi a público, Lula elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao comentar o “feito inusitado” de aprovar a reforma tributária, após quatro décadas de discussão.

Haddad teve sucesso em aprovar a pauta econômica no Congresso, mas ainda recebe críticas de alas do PT pela defesa do déficit fiscal zero, inviabilizando a ampliação de recursos para investimentos em ano eleitoral. O próprio Lula demonstrou insatisfação com a meta fiscal, que ainda pode ser revista em março, quando a equipe econômica divulgar o relatório bimestral de receitas e despesas.

Também publicamente, Lula fez uma cobrança ao ministro do Esporte, André Fufuca (PP), um dos representantes do Centrão no governo. O presidente ressaltou que na esteira de seus esforços para reconquistar a relevância internacional do Brasil, o auxiliar tem a missão de trazer para o país a próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será realizada em 2027.

Lula lamentou que o Brasil concorrerá com adversários de peso, como as candidaturas conjuntas de Estados Unidos e México, e de Alemanha, Holanda e Bélgica, mas desafiou Fufuca: “Espero que sua capacidade de negociação seja capaz de convencer a Fifa de que somos os melhores”. A definição da sede do campeonato ocorrerá em maio de 2024.

Lula também demonstrou satisfação com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, observando que o governo deve chegar ao fim do ano com quase 2 milhões de vagas formais de emprego criadas. Segundo os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o País abriu, até novembro, 1,9 milhão de postos com carteira assinada. A taxa de desemprego caiu para 7,5%, a menor para novembro desde 2014.

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