Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026

Home Mundo Com intervenção na Venezuela e prisão de Maduro, Trump consolida hegemonia dos Estados Unidos na América Latina

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O ataque cirúrgico que pôs fim à era Nicolás Maduro na Venezuela, retirado à força com a esposa do país, traz a mensagem essencial de Donald Trump à comunidade internacional: os EUA consolidam a sua hegemonia entre os vizinhos. Não importam os métodos ou que isso signifique governar outro país, como o presidente americano anunciou na coletiva em Mar-a-Lago.

“Vamos governar a Venezuela até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata. Não queremos que outra pessoa assuma o poder e a situação permaneça a mesma dos últimos anos. Portanto, vamos governar o país.”

Trump mostrou veemência em outro recado ameaçador, aparentemente dirigido a Cuba: “O que aconteceu com Maduro pode acontecer com outras pessoas que não sejam justas com suas populações.”

Esta operação militar americana em solo estrangeiro reaviva a memória de intervenções do passado na América Latina e parece obedecer aos princípios delineados pela Casa Branca de Trump com a reinterpretação da Doutrina Monroe.

Não há dúvidas sobre a ferocidade do regime protagonizado por Nicolás Maduro contra instituições estatais e opositores e a condução de eleições fraudulentas para permanecer no cargo. Mas o ataque americano desta madrugada atropela o direito internacional, estabelece um precedente perigoso para a região e põe na defensiva os demais países que não se alinham aos interesses do atual ocupante da Casa Branca.

No caso da Venezuela, os interesses ideológicos se misturam aos comerciais, dada a insistência do presidente americano em ressaltar os lucros que os EUA obterão com o acesso ao petróleo.

Trump foi evasivo sobre como pretende administrar a transição na Venezuela, que equivale, em última análise, a uma nova ocupação dos EUA em um país estrangeiro, a exemplo do que ocorreu no Afeganistão e no Iraque.

Há um complicador a mais: a embaixada em Caracas está fechada desde 2019, sem pessoal ou estrutura disponível, o que poderá forçar o governo a transferir tropas para o país.

Numa declaração surpreendente, Trump sugeriu que a vice-presidente Delcy Rodríguez, braço-direito de Maduro, ajudaria os EUA. Em outra, descartou a líder opositora, María Corina Machado como futura governante:

“Ela não tem apoio interno nem respeito. É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela.”

Indiciados, Maduro e a esposa Cilia foram levados para Nova York e serão acusados por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os EUA. Já sob custódia americana, o ditador aparece, em uma foto publicada por Trump, algemado e de olhos vendados, conforme o tratamento costumeiro aplicado na transferência de prisioneiros perigosos.

Entre tantas dúvidas que persistem sobre o fim de Maduro na Venezuela e o futuro do país, há uma certeza: venceu a linha dura do governo Trump, conduzida pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Desde que o Caribe virou palco de ataques dos EUA a embarcações venezuelanas, ele não escondia o objetivo principal: a mudança de regime e a derrocada do chavismo, há mais de duas décadas no poder.

Os chamados “falcões de Miami”, liderados por Rubio, rejeitavam uma saída diplomática na Venezuela e defendiam que ela deveria ser imposta. A tese prevaleceu na decisão do presidente americano, como o mundo pôde constatar nesta madrugada. Mas, a contar pelo entusiasmo de Trump, a motivação parece ter sido meramente comercial. Com informações do portal G1.

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