Terça-feira, 05 de Maio de 2026

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Com o fim da novela da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), a indefinição sobre quem serão os nomes que devem ocupar as duas diretorias atualmente vagas no Banco Central (BC) aumentou. No mercado, a derrota histórica do Planalto levanta dúvidas sobre se o governo terá vontade ou interesse de articular uma reaproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que permita indicar seus nomes à autoridade monetária ainda neste ano.

Um ponto é comemorado por participantes do mercado, ao avaliarem que o episódio enfraquece a perspectiva de um economista com perfil mais alinhado ao do Partido dos Trabalhadores e aumenta a expectativa de que o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tenha mais influência na escolha dos nomes, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha, de fato, a fazer as indicações.

Nas últimas semanas, o interesse do mercado financeiro sobre a aprovação de Jorge Messias se dava de forma indireta. O episódio era acompanhado muito mais como um termômetro da popularidade do governo no Congresso e da capacidade de aprovação de temas de seu interesse.

O analista político de uma grande casa no mercado revela que as consultas explodiram ao longo da quinta-feira (30) e a grande dúvida de participantes do mercado neste momento é sobre o futuro das indicações às cadeiras do BC. Isso porque havia, entre os agentes financeiros, a sensação de que Galípolo e o governo viam a votação da nomeação de Messias como um grande teste para futuros eventos.

“Todo mundo estava esperando o Messias para entender para que lado caminharam as indicações do Banco Central. O próprio governo parecia não querer colocar nada na frente e só pretendia discutir esse tema depois. A verdade é que o governo nunca pareceu muito preocupado com essas indicações”, aponta.

“Me parece muito difícil o governo, neste ambiente, conseguir aprovar um nome mais ligado ao partido. Após a desistência de indicar Guilherme Mello, essa já parecia um pouco a toada. O Galípolo deverá ter um peso maior para indicar um nome não tão ligado à política”, afirma o interlocutor.

Em fevereiro, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad disse ter sugerido o nome de Mello, então secretário de política econômica da Fazenda, para uma das diretorias da autoridade monetária. O assunto, porém, foi deixado para trás e Mello, agora, atua como secretário executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Segundo o analista político Erich Decat, as indicações para o Banco Central e para as agências reguladoras estão em suspenso no momento.

“Deve ficar tudo parado aguardando se vai ter uma escalada no processo de atrito entre Davi Alcolumbre e Lula. Se houver retaliação do governo, seja no Senado, seja no Amapá, onde o Alcolumbre tem encontrado algumas dificuldades, eu acredito que o Alcolumbre irá segurar todas as indicações – não só para o Supremo, mas para o BC e agências regulatórias – até novembro. Ali seria uma nova quadra política e eleitoral com a possibilidade de um novo governo eleito”, afirma.

Os próximos passos da relação, no entanto, também seguem indefinidos.

“Ainda não está claro aqui no mundo político de Brasília se vai haver algum tipo de aproximação entre o governo e o Davi Alcolumbre para minimamente avançar com essa agenda das indicações das agências. Existe um setor mais otimista dentro do governo que acredita que, inclusive, as indicações podem servir como uma pequena ponte entre o governo e Alcolumbre. Mas o fato é que hoje está tudo em compasso de espera, porque ninguém sabe se esse estresse vai aumentar ou arrefecer.”

Entre participantes do mercado, a percepção é de que, ao menos no curto prazo, tudo fica como está, com a autoridade monetária sem dois diretores. Há, contudo, um ponto levantado por um economista de peso nas discussões na Faria Lima: caso o governo demore muito para indicar os nomes, é possível que as nomeações fiquem “encavaladas”, ao se ter em vista que, em fevereiro de 2027, chega ao fim o mandato de outros dois diretores: Nilton David e Ailton Aquino.

Na análise política de outra importante instituição financeira, a rejeição de Messias não sinaliza risco para as duas vagas em aberto no Banco Central. “As posições não estão igualmente politizadas e há expectativa de influência relevante do presidente Gabriel Galípolo na escolha dos próximos diretores”, afirmam os profissionais do banco. (Com informações do Valor Econômico)

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