Sábado, 07 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de março de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a coalizão entre países da América Latina para combater cartéis. O republicano recebeu, neste sábado (7), líderes latinos para o evento batizado como “Escudo da América”. “Vamos fazer coisas incríveis, a região de vocês foi abandonada pelos EUA, que olhou para regiões em que nem era bem recebido”, disse o presidente.
No evento, Trump convidou presidentes mais alinhados com a direita e deixou de fora presidentes do Brasil, Colômbia e México, países governados por líderes de esquerda ou centro-esquerda. O evento aconteceu no resort de Trump em Doral, no subúrbio de Miami. Entre os presentes, o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele e o recém-eleito presidente do Chile, Jose Antonio Kast.
O encontro foi marcado na esteira da chamada “Doutrina Donroe”, versão de Trump para a Doutrina Monroe, em que promete intervir para promover interesses dos EUA no hemisfério ocidental, aumentar a segurança americana e interromper a influência de países como a China.
Durante o discurso, o republicano afirmou que a coalizão é importante, uma vez que os cartéis crescem rapidamente na região “e, em geral, estão ligados com tráfico de drogas”. Ele ainda reiterou que é “inaceitável” que países tenham cartéis que estão, cada vez mais, sofisticados com um poder militar maior que o do país em que operam.
Apesar de apresentar os problemas dos cartéis e o combate ao tráfico de drogas, não foi detalhado como a coalizão entre os países vai funcionar.
“Eles ameaçam a polícia de vocês. Nossas forças já têm trabalhado para combater isso, mas vamos aprofundar e expandir”, disse ele que repetiu que os cartéis são responsáveis por causar caos e problemas.
A porta-voz do Departamento do Estado, Amanda Roberson, afirmou que os países convidados são aqueles que já trabalham “de forma muito estreita” com os EUA nesse tema, mas destacou que Washington mantém cooperação com o Brasil em várias frentes de segurança.
Como exemplo, citou que mais de 70 toneladas de cocaína foram apreendidas no Brasil em 2024 em operações envolvendo a DEA e a Polícia Federal. Também mencionou operações conjuntas que resultaram na apreensão de 240 armas e mais de R$ 40 milhões em bens e dinheiro.
Sobre um possível encontro entre Trump e Lula, ela afirmou que não há data marcada, mas disse que os dois líderes conversaram recentemente e que citou que tanto o presidente quanto o secretário Marco Rubio falaram que a relação dos EUA e do Brasil “está numa trajetória bastante positiva”.
Mesmo com a ausência da presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, no evento, Trump citou que o principal problema para o hemisfério, no quesito cartéis, é o México. “Os cartéis do México são responsáveis pelo derramamento de sangue. Nós vamos fazer o que for preciso para defender nossa segurança nacional”, afirmou ele.
“Temos que erradicar, estão piorando e tomando controle do México. Não podemos permitir, eles estão proximos demais de nós”, disse Trump. Apesar das críticas ao México, Trump diz que gosta da presidente do país, a considera uma presidente boa e disse que é uma “mulher linda”. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)