Sábado, 07 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 22 de maio de 2023
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou nessa segunda-feira de Hiroshima, no Japão, onde participou como convidado da reunião do Grupo dos Sete (G7), que reúne sete das principais economias industrializadas do planeta. Com uma agenda abrangendo a busca por protagonismo internacional e meio ambiente aos planos de negociar a paz na Ucrânia, o petista acumulou vitórias e derrotas — a maior delas, seu desencontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Conheça abaixo três acertos e dois erros do mandatário brasileiro durante sua passagem pela Ásia.
Veja os pontos positivos e negativos da participação de Lula no G7:
– Em um triunfo para o presidente, a cúpula emitiu um comunicado de ação paralelo prometendo trabalho em conjunto para o combate à fome, uma das prioridades de Lula;
– após uma reunião bilateral, Tóquio anunciou que vai rever a necessidade de vistos para cidadãos brasileiros que desejam passar curtas temporadas no Japão;
– Lula manteve 12 reuniões paralelas aos eventos oficiais do G7: foram nove com chefes de governo, duas com representantes de organizações multilaterais e uma com empresários;
– as bilaterais do petista, no entanto, foram ofuscadas pelo desencontro com Zelensky;
– Lula não conseguiu protagonismo na reunião, cuja agenda foi posta de ponta-cabeça pela aparição de última hora do mandatário ucraniano.
Combate à fome
O Brasil e as outras 14 nações presentes no G7 — além dos sete países-membros, havia mais oito convidados — assinaram uma carta conjunta tratando de uma das prioridades da agenda brasileira: zerar a fome. A Declaração de Ações de Hiroshima para a Segurança Alimentar Resiliente reafirma que “o acesso a alimentos baratos, seguros e nutritivos é uma necessidade humana básica” e declara o compromisso dos Estados a agir coletivamente para responder à crise de segurança global.
Durante a semana passada, diplomatas brasileiros haviam admitido o desejo de que comunicado não se tornasse um “ato contra a Rússia”, e tiveram sucesso no documento final divulgado no sábado. Em termos brandos, os países afirmam que a guerra na Ucrânia agravou ainda mais a crise de segurança alimentar e que “apoiam uma paz justa e duradoura” — tom considerado correto pelo Itamaraty.
“Observamos com profunda preocupação o impacto adverso da guerra na Ucrânia e enfatizamos que esta causa imenso sofrimento humano e exacerba fragilidades já existentes na economia global – restringindo o crescimento, aumentando a inflação, interrompendo cadeias de suprimentos, aumentando a insegurança alimentar e energética e elevando os riscos à estabilidade financeira”, diz o documento, que cita como outros fatores negativos a pandemia e as mudanças climáticas.
A meta mais imediata é auxiliar os países a se prepararem para responder rapidamente a crises alimentares, mas a longo prazo o objetivo é “construir uma agricultura e sistemas alimentares mais resilientes, sustentáveis e inclusivos”. Para isso, o compromisso prevê em termos vagos mais investimentos, desenvolvimento de infraestrutura agrícola e maior acessibilidade a instrumentos financeiros.
Segundo estimativas da ONU e outros relatórios, 828 milhões de pessoas passaram por situação de fome em 2021. Desde a campanha, Lula afirma que garantir o acesso a alimentos seria um dos pilares de seu terceiro mandato, após o país voltar ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, de onde havia saído em 2014.
De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado em junho do ano passado, cerca de 33,1 milhões de brasileiros passavam fome. O incremento entre 2021 e 2022 foi de 14 milhões de pessoas.
A reunião que faltou
A extensa agenda bilateral, contudo, foi ofuscada pelo encontro que não aconteceu: Lula não se reuniu com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que decidiu ir de última hora a Hiroshima. O próprio governo ucraniano havia solicitado reuniões com Lula e Modi, frente às suas tentativas de trazer para a órbita de Kiev um Sul Global que tende à neutralidade no imbróglio russo-ucraniano.
A viagem de última hora, segundo fontes no Planalto, deixou o presidente brasileiro encurralado. Após uma demora inicial para responder ao pedido ucraniano por uma reunião, o governo brasileiro apresentou horários possíveis para Lula, mas inviáveis para Zelensky. Após idas e vindas, na manhã de domingo, a comitiva do petista chegou a anunciar que havia um acordo para o encontro nas horas seguintes.
Por volta das 19h (7h no Brasil), contudo, os representantes brasileiros afirmaram que o encontro não aconteceria mais. Indagado se estava decepcionado pela falta do encontro, Zelensky minimizou afirmando achar “que ele [Lula] ficou desapontado”.
O único momento em que os dois estiveram no mesmo ambiente foi em uma das sessões coletivas do G7, sobre paz, estabilidade e prosperidade global. Em seu discurso na reunião, na qual sentou de frente para Zelensky, o petista condenou a “violação da integridade territorial da Ucrânia” e repudiou “veementemente o uso da força como meio de resolver disputas”.