Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de outubro de 2026

O comércio atacadista no Rio Grande do Sul vive um momento de expansão estrutural, mas com desafios de rentabilidade. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o setor registrou aumento no número de empresas e leve crescimento na geração de empregos, ao mesmo tempo em que apresentou retração no faturamento acumulado, segundo dados do Observatório do Comércio (IFEP-RS, Fecomércio-RS, Sesc-RS, Senac-RS) e do Sindicato do Comércio Atacadista do RS (Sindiatacadista).
De acordo com o levantamento, o atacado contabilizou 37.656 empresas, um avanço de 3,37% em relação ao período anterior. O setor emprega 119.452 trabalhadores, com crescimento de 0,5%. A rotatividade empresarial foi de 6,6%, considerada baixa, o que indica maior estabilidade e menor mortalidade de negócios. Já a rotatividade de empregos alcançou 47,3%, um índice elevado, mas inferior ao varejo, que chega a 63,9%.
No campo financeiro, o desempenho foi menos favorável. O atacado movimentou R$ 349,7 bilhões em vendas no período, mas registrou queda de -0,84% no acumulado em relação ao ano anterior. Apesar disso, o mês final da série mostrou uma alta de 4,12% sobre o mês imediatamente anterior, sinalizando recuperação pontual.
Dados complementares do Sindiatacadista reforçam a relevância do setor na economia gaúcha: são 37.600 estabelecimentos, cerca de 120 mil postos de trabalho, participação de 4,5% no PIB estadual e contribuição de 17% na arrecadação de ICMS. Esses números evidenciam o peso estratégico do atacado na estrutura fiscal e produtiva do Rio Grande do Sul.
Esse cenário revela um setor que cresce em estrutura e mantém estabilidade frente à retração do varejo, que perdeu 4,25% das empresas e reduziu 0,3% dos empregos. No entanto, a queda no faturamento acumulado indica pressão sobre margens e volume de negócios, possivelmente relacionada à competição acirrada, compressão de preços e adaptação às novas formas de consumo, como o e-commerce.
A baixa rotatividade empresarial reforça a ideia de que o atacado é menos vulnerável a crises conjunturais, consolidando-se como elo estável da cadeia comercial. Por outro lado, a alta rotatividade de empregos aponta para dificuldades em retenção de talentos e necessidade de políticas de qualificação e valorização da mão de obra.
Em síntese, o comércio atacadista gaúcho se mostra resiliente e em expansão, sustentando o crescimento em número de empresas e empregos e mantendo relevância fiscal e econômica. Contudo, a queda no faturamento acumulado exige ajustes estratégicos: maior eficiência logística, inovação em canais digitais e políticas voltadas à retenção de trabalhadores. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
Fontes: Observatório do Comércio – IFEP-RS, Fecomércio-RS, Sesc-RS, Senac-RS; Sindiatacadista-RS