Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2024

Home em foco Como a Rússia transformou o inverno em arma de guerra na Ucrânia

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A Rússia está transformando o inverno do Hemisfério Norte em uma arma na guerra na Ucrânia, mesmo quando seus soldados estão fora de controle no campo de batalha. À medida que a estação se aproxima, o uso de mísseis em navios, artilharia na terra e aviões no céu por parte dos russos destrói a infraestrutura da Ucrânia para privar milhões de calor, luz elétrica e água potável.

Manter as luzes acesas para as milhões de pessoas que vivem em cidades e vilas longe do front – e manter esses lugares funcionando durante o inverno – é agora um dos maiores desafios que a Ucrânia enfrenta. “Se sobrevivermos a este inverno, e definitivamente sobreviveremos a ele, definitivamente venceremos esta guerra”, disse o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski.

Segundo as autoridades ucranianas, os ataques russos deixaram cerca de 40% da infraestrutura energética da Ucrânia danificada ou destruída. Alguns locais chegaram a ser atingidos cinco ou seis vezes. Somente na última semana mísseis russos atingiram sistemas de energia e outros alvos civis em diversas cidades. A Naftogaz, produtora estatal de petróleo e gás, afirmou que uma instalação de produção de gás natural no leste ucraniano sofreu um “ataque maciço”. Na cidade de Vilniansk, no sul do país, um míssil atingiu um prédio residencial e matou três pessoas.

Os ataques também danificam sistemas de abastecimento de água que são essenciais para a produção de energia e para a sobrevivência diária e comprometeram a conexão de duas usinas nucleares à rede nacional da Ucrânia – o que forçou os operadores nucleares a reduzir drasticamente a quantidade de energia que produzem. A concessionária nacional de energia já impôs apagões abrangentes, mas controlados, que incluem todas as regiões do país, deixando milhões sem energia por 6 a 12 horas por dia.

Iuri Levitski, chefe de reparos de uma subestação de energia no centro da Ucrânia, descreveu a situação dos funcionários públicos como “a linha de frente do setor de energia”. Em uma recente visita à subestação, Levitski se deparou com um transformador de 200 toneladas que converte eletricidade de alta tensão em uma potência mais baixa, utilizada em residências e empresas.

Segundo Levitski, o míssil que atingiu o local explodiu com tanta força que quebrou janelas de uma escola localizada a mais de um quilômetro de distância, provocou um incêndio que queimou por quatro dias e acabou com a energia de mais de meio milhão de pessoas. “Um míssil”, enfatizou Levitski.

Infraestrutura civil

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia disparou mais de 4,5 mil mísseis em toda o país, disseram autoridades ucranianas. Nas últimas seis semanas, a grande maioria foi direcionada para a infraestrutura civil. “A situação é séria, a mais grave da história”, disse Volodmir Kudritski, chefe da Ukrenergo, a concessionária nacional de energia elétrica, na quarta-feira. “Desde o início de outubro, este já é o sexto ataque maciço à infraestrutura energética do país, desta vez o maior.”

A precisão dos ataques à infraestrutura contrasta com a desordem que caracterizou grande parte do esforço militar russo. A cada perda no campo de batalha, Moscou intensificou a campanha militar para subjugar a Ucrânia, visando a infraestrutura civil. Até agora, a Ucrânia conseguiu encontrar uma maneira de resistir aos ataques com esforços públicos para restaurar a infraestrutura.

As autoridades ucranianas afirmam que um dos objetivos do Kremlin com os ataques a infraestruturas é causar uma nova saída em massa do país, mas não há evidências que isso ocorra no momento.

Segundo Levitski, os apagões controlados – que cresceram após cada ataque sucessivo – permitiram que os engenheiros estabilizassem a rede. Os trabalhadores de serviços públicos ucranianos também conseguiram manter a água fluindo, apesar das interrupções temporárias.

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