Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026

Home em foco Como Donald Trump poderia “tomar” a Groenlândia

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer tomar posse da Groenlândia. E a Casa Branca confirmou que todas as opções estão na mesa, incluindo o uso da força.

Uma eventual operação militar é apenas uma dentre diversas opções políticas e econômicas em consideração.

O ataque de um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra outro representaria um pesadelo para a aliança militar formada por 32 países – e, provavelmente, uma ameaça à sua própria existência.

Trump vem declarando repetidamente que a Groenlândia é fundamental para a segurança nacional americana. Ele afirmou, sem mostrar evidências, que a ilha está “coberta de navios russos e chineses por toda parte”.

Ação militar

Analistas do setor de defesa afirmam que uma operação relâmpago para ocupar a Groenlândia poderia ser relativamente fácil, mas suas consequências seriam monumentais.

Geograficamente, a ilha é imensa, mas sua população é de apenas cerca de 58 mil pessoas. Um terço delas mora na capital, Nuuk, e o restante se concentra principalmente na costa oeste.

O território não tem forças armadas próprias e a Dinamarca é responsável pela sua defesa. Mas seu poderio aéreo e naval é limitado para cobrir um território tão extenso.

Suas vastas dimensões, pequena população e a ausência de forças armadas fariam da Groenlândia um alvo fácil para os EUA, que já possuem mais de 100 militares permanentemente baseados na base de Pituffik, no extremo noroeste da ilha.

Nos Estados Unidos, diversas ex-autoridades e analistas de defesa declararam que uma eventual operação militar é extremamente improvável, considerando suas abrangentes implicações para as alianças entre os Estados Unidos e a Europa.

“Seria claramente contra todas as leis internacionais”, afirma o ex-fuzileiro naval Mick Mulroy, que já foi oficial paramilitar da CIA (serviço americano de inteligência estrangeira) e secretário adjunto de Defesa dos Estados Unidos.

“Além de não representarem ameaça para os Estados Unidos, eles também são aliados em tratados internacionais.”

Se a Casa Branca começar a preparar uma operação militar, Mulroy acredita que haveria resistência dos legisladores americanos. Eles poderiam evitar as ações usando a Lei dos Poderes de Guerra, criada para limitar a capacidade do presidente de ir à guerra sem aprovação do Congresso.

Compra

Os Estados Unidos têm muito dinheiro no bolso, mas tanto Nuuk quanto Copenhague afirmam que a Groenlândia não está à venda.

Mencionando um legislador e uma fonte familiar com as discussões, a rede de TV CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, noticiou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou aos congressistas que a compra é a opção preferida do governo Trump.

Mas, mesmo se a Groenlândia quisesse ser vendida, essa transação seria muito complicada.

O Congresso americano precisaria provisionar os fundos e comprar a Groenlândia por tratado exigiria a aprovação de dois terços do Senado, o que seria muito difícil de conseguir, segundo os especialistas. Além disso, a União Europeia também precisaria aprovar o acordo.

Campanha de influência

As pesquisas de opinião indicam que a maioria dos groenlandeses deseja a independência da Dinamarca. Mas elas também sugerem que eles não querem fazer parte dos Estados Unidos.

Ainda assim, os Estados Unidos poderiam concentrar esforços para convencer a população local com incentivos financeiros de curto prazo ou com a perspectiva de benefícios econômicos no futuro.

O especialista em geoestratégia Imran Bayoumi, do Conselho do Atlântico em Washington DC, é ex-consultor político do Departamento de Defesa dos EUA.

Ele declarou à BBC que é muito mais viável uma “campanha de influência” do que qualquer ação militar. Bayoumi explica que essa campanha poderá ajudar a incentivar a Groenlândia rumo à independência.

“E, depois que a Groenlândia declarar independência, você poderá ter o governo americano como parceiro”, explica ele. “Os custos de uma ação militar são altos demais.”

Notícias veiculadas na imprensa americana indicam que agências de inteligência dos Estados Unidos já passaram a acompanhar mais de perto o movimento pela independência da Groenlândia, tentando identificar figuras que possam apoiar os objetivos do governo americano. As informações são da BBC Brasil.

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