Quinta-feira, 30 de Maio de 2024

Home em foco Como estão os direitos das mulheres no Afeganistão um ano após volta do Talibã

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Nos doze meses desde que assumiu o poder no Afeganistão, o Talibã acabou com quase todas as liberdades conquistadas pelas mulheres afegãs desde a última passagem do movimento pelo poder, há duas décadas.

A partir do momento em que o grupo assumiu a capital Cabul em 15 de agosto do ano passado, muitas mulheres temiam o impacto que o novo governo teria — e, com o passar do tempo, elas descobririam que vários dos medos virariam realidade.

Uma análise geral da organização Human Rights Watch defende que o país passou por retrocessos em diversas áreas depois da tomada do Talibã. Aumentaram as acusações de tortura, censura e, principalmente, redução dos direitos das mulheres. De acordo com o relatório da entidade, o Talibã impôs regras rígidas para este grupo. Quase todas as jovens passaram a ter o acesso negado ao ensino secundário nas escolas. Agora, mulheres só podem viajar acompanhadas por um familiar do sexo masculino.

Para o representante da ONU no Afeganistão, Markus Potzel, rebaixar o papel das mulheres exclusivamente aos trabalhos domésticos “nega ao Afeganistão o benefício das contribuições significativas que eles têm a oferecer”.

Anita Ramasastry, presidente do Comitê de Coordenação de Procedimentos Especiais da ONU, observou que as mulheres enfrentam riscos maiores de violência e perseguição pelos militantes.

“Muitas dessas pessoas estão escondidas enquanto o Talibã continua vasculhando casas de porta em porta, e há sérias preocupações de que essa coleta de informações possa levá-las a serem alvo de represálias”, disse ela.

“Documentamos que os avanços do Talibã vieram com execuções sumárias, desaparecimentos, restrições às mulheres, à mídia e à vida cultural. Isso não é história antiga” concluiu Ramasastry.

De acordo com estimativa da ONU, cerca de 19,7 milhões de afegãos estão passando fome ou em situação de insegurança alimentar. A Human Rights Watch também ressalta que a situação afeta principalmente mulheres pela falta de oportunidades ou empregos. Além disso, pessoas do sexo feminino têm tido cada vez menos acesso à serviços de saúde.

A Federação Internacional de Jornalistas diz que profissionais do sexo feminino foram em grande parte proibidas de trabalhar e que 153 meios de comunicação foram fechados desde a tomada do Talibã, incluindo jornais, canais de rádio ou TV e sites.

O relatório Death in Slow Motion: Women and Girls Under Taliban Rule (Morte em câmera lenta: mulheres e meninas sob o regime do Talibã, em tradução livre), da Anistia Internacional, também mostra como as mulheres que protestaram pacificamente contra o novo governo foram presas, detidas, torturadas ou ameaçadas. “Esta repressão sufocante contra a população feminina do Afeganistão está aumentando dia a dia“, disse Agnès Callamard, Secretária-Geral da Anistia Internacional.

Burcas

O Talibã também decretou que todas as mulheres afegãs devem usar a burca, manto que cobre o corpo da cabeça aos pés. Funcionários do grupo estavam entrando em lojas de roupas femininas em Cabul para verificar o que as funcionárias estavam vendendo e se o comprimento das roupas feitas sob medida era considerado apropriado.

A autoridade do Talibã, Khalid Hanafi, disse que a decisão visa assegurar a “dignidade e a segurança de nossas irmãs”. Hanafi afirmou também que as “mulheres que não tiverem trabalho importante fora é melhor que fiquem em casa”. Segundo ele, “os princípios e a ideologia islâmica são mais importantes para nós do que qualquer outra coisa”.

Entenda

O Talibã governou o Afeganistão de 1996 a 2001 até ser derrubada pelos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump (2017-2021) anunciou em 2020 que retiraria as tropas do país, mas terminou o mandato sem cumprir a promessa.

O presidente Joe Biden decidiu seguir com o plano de retirar os militares norte-americanos do país. Ele antecipou a saída para o fim de agosto.  Aos poucos, as tropas dos EUA foram deixando o Afeganistão e o Talibã retomou o controle sobre diversas regiões até chegar a Cabul e tomar o palácio presidencial.

O então presidente Ashraf Ghani, e seu vice, Amrullah Saleh, precisaram fugir. Segundo Ghani, a atitude teve como objetivo “evitar um banho de sangue”.

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