Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

Home Mundo Como Trump escolheu a chavista Delcy Rodríguez como nova líder da Venezuela após captura de Maduro

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Semanas antes da operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, autoridades dos EUA já haviam se decidido por uma candidata aceitável para substitui-lo após sua deposição — pelo menos temporariamente: a vice-presidente Delcy Rodríguez. A líder chavista, uma aliada de Maduro, impressionou funcionários do presidente americano, Donald Trump, com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana. Pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia futuros investimentos americanos no setor de energia do país.

— Venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma noção de quem ela é e do que ela representa — disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy. — Não estou alegando que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas ela certamente é alguém com quem achamos que podemos trabalhar em um nível muito mais profissional do que conseguíamos com ele.

As frequentes aparições públicas de Maduro, somada a outras demonstrações de indiferença, ajudaram a convencer integrantes da equipe de Trump de que o presidente venezuelano estava zombando deles, tentando pagar para ver o que ele acreditava ser um blefe, segundo duas das pessoas, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir as conversas confidenciais. Na semana passada, Maduro desdenhou da então mais recente escalada dos EUA — um ataque a um cais que os EUA afirmaram ser usado para o tráfico de drogas —, dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: “No crazy war” (Sem guerras loucas). Antes, havia recusado uma proposta de exílio na Turquia.

Assim, a Casa Branca decidiu levar adiante suas ameaças militares.

A opção por permitir a posse de Delcy foi uma escolha fácil, disseram as fontes. Trump não simpatiza com a líder da oposição María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que a opositora carecia do “respeito” necessário para governar a Venezuela.

Autoridades americanas afirmam que o relacionamento com o governo interino será baseado na capacidade dela de jogar conforme as regras deles, acrescentando que reservam-se ao direito de tomar medidas militares adicionais caso não respeite os interesses dos EUA. Em uma declaração neste domingo, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington irá trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela se elas tomarem “as decisões certas”.

— Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem — disse Rubio no programa Face the Nation, da CBS News. — Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os EUA manterão diversas ferramentas de pressão.

Trump declarou no sábado que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação extraordinária de poder unilateral e expansionista após argumentos mais estreitos — e também contestados — sobre interromper o fluxo de drogas.

Aposta em chavista

Com Delcy, o governo Trump estaria se envolvendo com uma líder do governo que repetidamente rotulou como ilegítimo, ao mesmo tempo em que abandona María Corina — além de não estar claro, imediatamente, se Delcy sequer colaboraria. Em um pronunciamento na televisão, ela acusou os EUA de realizarem uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continua sendo o líder legítimo da Venezuela.

Para manter o poder de pressão, altos funcionários americanos disseram que as restrições dos EUA às exportações de petróleo venezuelano permanecerão em vigor por enquanto. Outros envolvidos nas negociações expressaram esperança de que o governo pare de deter petroleiros e emita mais licenças para que empresas dos EUA trabalhem no país, a fim de reanimar a economia e dar a Delcy uma chance de sucesso político.

A vice-presidente de 56 anos chega ao posto de líder interina da Venezuela com as credenciais de uma solucionadora de problemas econômicos que orquestrou uma mudança no país: de um socialismo corrupto para um capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.

Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ganhou fama por sequestrar um empresário americano. Foi educada em parte na França, onde se especializou em direito trabalhista, e ocupou cargos de médio escalão no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a cargos maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que acabou se tornando o principal estrategista político de Maduro. Com informações do portal O Globo.

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Semanas antes da operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, autoridades dos EUA já haviam se decidido por uma candidata aceitável para substitui-lo após sua deposição — pelo menos temporariamente: a vice-presidente Delcy Rodríguez. A líder chavista, uma aliada de Maduro, impressionou funcionários do presidente americano, Donald Trump, com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana. Pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia futuros investimentos americanos no setor de energia do país.

— Venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma noção de quem ela é e do que ela representa — disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy. — Não estou alegando que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas ela certamente é alguém com quem achamos que podemos trabalhar em um nível muito mais profissional do que conseguíamos com ele.

As frequentes aparições públicas de Maduro, somada a outras demonstrações de indiferença, ajudaram a convencer integrantes da equipe de Trump de que o presidente venezuelano estava zombando deles, tentando pagar para ver o que ele acreditava ser um blefe, segundo duas das pessoas, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir as conversas confidenciais. Na semana passada, Maduro desdenhou da então mais recente escalada dos EUA — um ataque a um cais que os EUA afirmaram ser usado para o tráfico de drogas —, dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: “No crazy war” (Sem guerras loucas). Antes, havia recusado uma proposta de exílio na Turquia.

Assim, a Casa Branca decidiu levar adiante suas ameaças militares.

A opção por permitir a posse de Delcy foi uma escolha fácil, disseram as fontes. Trump não simpatiza com a líder da oposição María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que a opositora carecia do “respeito” necessário para governar a Venezuela.

Autoridades americanas afirmam que o relacionamento com o governo interino será baseado na capacidade dela de jogar conforme as regras deles, acrescentando que reservam-se ao direito de tomar medidas militares adicionais caso não respeite os interesses dos EUA. Em uma declaração neste domingo, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington irá trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela se elas tomarem “as decisões certas”.

— Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem — disse Rubio no programa Face the Nation, da CBS News. — Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os EUA manterão diversas ferramentas de pressão.

Trump declarou no sábado que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação extraordinária de poder unilateral e expansionista após argumentos mais estreitos — e também contestados — sobre interromper o fluxo de drogas.

Aposta em chavista

Com Delcy, o governo Trump estaria se envolvendo com uma líder do governo que repetidamente rotulou como ilegítimo, ao mesmo tempo em que abandona María Corina — além de não estar claro, imediatamente, se Delcy sequer colaboraria. Em um pronunciamento na televisão, ela acusou os EUA de realizarem uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continua sendo o líder legítimo da Venezuela.

Para manter o poder de pressão, altos funcionários americanos disseram que as restrições dos EUA às exportações de petróleo venezuelano permanecerão em vigor por enquanto. Outros envolvidos nas negociações expressaram esperança de que o governo pare de deter petroleiros e emita mais licenças para que empresas dos EUA trabalhem no país, a fim de reanimar a economia e dar a Delcy uma chance de sucesso político.

A vice-presidente de 56 anos chega ao posto de líder interina da Venezuela com as credenciais de uma solucionadora de problemas econômicos que orquestrou uma mudança no país: de um socialismo corrupto para um capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.

Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ganhou fama por sequestrar um empresário americano. Foi educada em parte na França, onde se especializou em direito trabalhista, e ocupou cargos de médio escalão no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a cargos maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que acabou se tornando o principal estrategista político de Maduro. Com informações do portal O Globo.

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