Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de janeiro de 2026
Foi concluída nesta terça-feira (20) a reconstrução do trecho 2 do Dique do Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre. A obra, iniciada em junho pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), compreende 300 metros da estrutura entre a Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap) 10 e o ponto de rompimento na enchente de 2024. Com isso, mais de 1,4 quilômetro do dique já conta com proteção de 5,8 metros em relação ao rio Gravataí.
A obra de elevação do dique foi necessária para contenção de enchente em um dos bairros mais atingidos pela inundação de maio de 2024 na capital gaúcha. A água extravasou a contenção, alagando quase todas as moradias e provocou um impasse entre a prefeitura e moradores que precisam ser retirados para a continuidade da intervenção.
“Essa foi uma obra que demandou decisões difíceis, como a desocupação e demolição de moradias que há muitos anos estavam construídas sobre o dique, mas precisávamos tomar uma atitude para reforçar nosso sistema de proteção de cheias, sobretudo nos bairros mais atingidos. Esse trecho representa mais segurança e mais dignidade para moradores do Sarandi que conviviam com o medo a cada cheia”, disse o prefeito Sebastião Melo.
No trecho 2, a estrutura do dique havia sido profundamente alterada pela ocupação irregular. Por isso, a primeira etapa consistiu na remoção de resíduos – enterrados, ao longo dos anos, em substituição à argila retirada do dique para a construção de moradias. Após a limpeza do terreno, avançou-se na obra por meio da compactação de materiais adequados à proteção contra cheias.
A reconstrução do trecho 2 do dique demandou acordo com pelo menos 57 famílias. O trabalho permanece em andamento para garantir que as obras avancem também nos outros dois quilômetros da estrutura de proteção, que ainda não foram reforçados. Os proprietários dos imóveis destruídos chegaram a um acordo com o município. A promessa é de que, pelo programa “Compra Assistida”, do governo federal, as pessoas poderão ter acesso a outro bem para viver, de até R$ 200 mil.
Criado pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), entre as décadas de 1960 e 1970, o dique possui 3,5 quilômetros de extensão entre a BR-290 e a avenida Assis Brasil. Após a enchente histórica, um estudo geotécnico conduzido pelo Dmae indicou a necessidade de reforço e elevação da cota de toda a estrutura – que, em alguns pontos, variava entre 4 e 4,5 metros.