Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de fevereiro de 2026
Com calça preta e camiseta branca, Augusto Lima subiu ao palco do Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, ao lado da esposa, Flávia Péres, em novembro de 2023. A orquestra Neojibá animava convidados que incluíam secretários, deputados, procuradores, conselheiros de contas, empresários e artistas, no lançamento do Instituto Terra Firme.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou parceria com a entidade, e o prefeito Bruno Reis (União Brasil) destacou que estudou no mesmo colégio que o empresário. O evento foi interpretado por presentes como demonstração do prestígio político e empresarial de Lima no auge da sociedade com o Banco Master.
A trajetória de ascensão começou com o Credcesta, criado em 2018, que expandiu o crédito consignado para 24 estados e 176 municípios. Em 2024, Lima obteve autorização do Banco Central do Brasil para assumir o Banco Voiter, posteriormente rebatizado de Banco Pleno. Em novembro de 2025, porém, foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas ao Banco de Brasília (BRB). Atualmente está em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, anunciada nessa quarta-feira (18), representou novo revés.
Reportagem da Folha de S.Paulo, com base em documentos e relatos, aponta que a trajetória empresarial incluiu estruturas societárias complexas e conexões com a gestora Reag, liquidada após a Operação Carbono Oculto. Fundos ligados à Reag capitalizaram a PKL One, dona do Credcesta, e empresas como a Consiglog aparecem na cadeia de relações. Executivos associados ao grupo Terra Firme também figuram como dirigentes em companhias envolvidas.
Na Bahia, Lima aproximou-se dos governos do PT a partir de 2017, durante a gestão de Rui Costa, então governador, e com interlocução do senador Jaques Wagner. A privatização da Ebal, estatal que administrava a rede Cesta do Povo, resultou na reformulação de um cartão de compras que passou a oferecer serviços financeiros, base do Credcesta. Wagner afirmou que a licitação teve aval dos órgãos de controle e classificou a operação como positiva para o estado.
O Credcesta obteve exclusividade de 15 anos no governo baiano, com juros em torno de 4,7% e ampliação da margem consignável dos servidores. Posteriormente, o modelo foi replicado em outros estados, como o Rio de Janeiro, na gestão de Cláudio Castro (PL), onde houve autorização para margem adicional e juros mais elevados. A parceria com Daniel Vorcaro, do Banco Master, impulsionou a expansão nacional, incluindo operações com consignado do INSS.
Descritos por pessoas próximas como de perfis distintos – Lima mais discreto e Vorcaro mais expansivo –, ambos combinaram articulação política e estratégia financeira para ampliar o negócio. Mesmo após negociar sua saída do Master, em 2024, Lima manteve influência sobre o Credcesta e seguiu representando o banco em eventos institucionais ao longo de 2025. (Com informações da Folha de S.Paulo)