Terça-feira, 07 de Julho de 2026

Home Economia Consórcios não têm juro, vão do carro ao funerário, mas só 8% dos brasileiros usam

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Criado há 60 anos para driblar a dificuldade de acesso ao crédito no País, o consórcio volta ao radar das famílias, que enfrentam, mais uma vez, um período de alto endividamento e juros dos financiamentos nas alturas. Se no passado, essa modalidade ajudou muita gente a alcançar itens como videocassete e automóvel, agora permite desde a compra de bens como casa própria, máquina agrícola e placa de energia solar até serviços como cursos e fertilização in vitro.

Apesar disso, apenas 8% dos brasileiros utilizam a ferramenta, estima Tatiana Schuchovsky, CEO da Ademicon, maior administradora independente de consórcios do país. Em entrevista ao jornal O Globo, a executiva avalia que o consórcio é uma “jabuticaba brasileira” que poderia ser usada por mais gente.

Para enfrentar a forte concorrência dos produtos similares dos bancos, a ex-professora de sapateado que assumiu o comando da empresa da família — há três décadas no ramo — decidiu investir pesado em ações para popularizar o consórcio.

1) O cenário de juros altos ajuda o crescimento dos consórcios?

O consórcio foi criado no Brasil há mais de 60 anos para democratizar o crédito. É um produto super resiliente. Já passou por vários cenários políticos e econômicos, com juro alto, baixo, inflação. Não está ligado a esses cenários da economia, mas sim à dificuldade de obter crédito para comprar um bem. Mas apenas 8% dos brasileiros têm consórcio. Muita gente acha que é um produto que não é para ele.

2) Por que é baixa a adesão?

Consórcio é uma jabuticaba brasileira. É um produto antigo, mas tem característica de novo porque é uma junção, um compartilhamento entre pessoas para que se tenha acesso a crédito. Mas as pessoas não conhecem essa forma de juntar dinheiro para ter acesso a um bem ou serviço. O consórcio entrega a programação para comprar o bem.

3) Por que a empresa tem investido tanto em marketing, com BBB, podcast e websérie?

Cada vez que a gente consegue explicar como funciona o consórcio, e mais brasileiros entendem, melhor. É um produto que não tem juro, não tem surpresa. As pessoas têm que pagar a taxa de administração, a atualização do valor e ponto final. Muita gente diz que é preciso esperar para ser sorteado, mas, na previdência privada, esperam 30 anos para pegar o dinheiro.

No consórcio, tem o sorteio, que é uma antecipação. E há possibilidade de dar um lance. São muitas opções. Há muita gente para entrar. Quando patrocinamos a prova do líder no BBB, a palavra consórcio foi 1,2 mil vezes mais buscada na internet que antes. Este ano, vamos investir R$ 58 milhões em marketing.

4) O fato de o brasileiro estar muito endividado atrapalha ?

Sim. Quanto melhor o brasileiro estiver (financeiramente), mais vamos vender. Mas como as parcelas são baixas, mesmo quem está com dificuldades financeiras pensa muito na moradia. E aí existe uma concentração de renda do grupo familiar para a aquisição desse bem, que é para a vida inteira. Mas se as pessoas não estivessem endividadas, teríamos um público maior.

5) Como é a inadimplência?

É muito baixa. Menos de 1%. O bem é a garantia e ele não quer perdê-lo. É melhor ter uma negociação, uma venda. A jornada do cliente leva de 5 a 20 anos. Há a valorização do imóvel ou até mesmo das máquinas agrícolas. Então, se o cliente tem um problema, o bem já vale mais que a dívida e vale a negociação.

6) Qual é o perfil de quem entra nos grupos criados pela empresa?

Hoje, são pessoas das classes A e B e de mais de 35 anos. Com renda familiar acima de R$ 10 mil. É um olhar mais de troca de imóvel, de veículo, de atualização de máquinas agrícolas com mais tecnologia. Tem gente que entra para fazer aposentadoria imobiliária, compra vários imóveis para locação para ter renda extra.

9) Mas vocês querem ampliar para as classes C e D, por exemplo?

Atingir as pessoas das classes D e C é mais complicado na parte de imóvel. Na de veículos, sim. Gostaríamos de atender todos, mas precisa caber no orçamento. E para atingir esse público, precisamos de prazos mais longos e parcelas ainda mais baixas. Temos prazos de dois a 20 anos.

A pessoa escolhe o prazo que tem a parcela que cabe no bolso. Já vendemos consórcios para brasileiros na Flórida (EUA) e estamos entrando em Portugal. Para entrar no consórcio, as pessoas precisam ter CPF.

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