Domingo, 22 de Março de 2026

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O percentual de brasileiros que afirmam já ter experimentado alguma substância psicoativa de uso proibido ao menos uma vez na vida aumentou de 10,3% para 18,8% em um intervalo de 11 anos. Os dados constam no III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo.

Considerado uma das principais referências epidemiológicas sobre o tema no país, o estudo indica que o avanço no consumo de drogas ilícitas foi puxado principalmente pela maconha, acompanhando uma tendência observada em países ocidentais.

Coordenadora da pesquisa, a psicóloga Clarice Madruga afirma que o aumento já era esperado, especialmente pelo longo intervalo entre as edições do levantamento — a anterior havia sido realizada em 2012 com a mesma metodologia — e pelas mudanças na percepção social sobre os riscos associados à droga.

Segundo a pesquisadora, em 2012 o Brasil apresentava baixa prevalência no consumo de maconha em comparação internacional, enquanto substâncias como cocaína e crack tinham maior destaque. Ao longo dos anos, esse cenário mudou.

“O que parece ter ocorrido nesse período é um aumento no uso ao longo da vida, mas não necessariamente no consumo recente. Isso sugere que houve crescimento em algum momento, seguido de estabilização. Ainda assim, o avanço observado é explicado principalmente pela cannabis, que antes estava muito abaixo da média internacional”, afirma.

Clarice destaca que esse movimento não é exclusivo do Brasil. “Em diversos países ocidentais, esse aumento ocorreu antes. Aqui, ele se consolidou ao longo da última década, fazendo com que o consumo se aproximasse da média internacional”, acrescenta.

O levantamento também aponta mudanças no perfil dos usuários. Embora o consumo continue mais elevado entre homens, o crescimento entre mulheres adultas chama atenção. Nesse grupo, o uso de qualquer droga ilícita ao longo da vida quase dobrou, passando de 7% para 13,9%.

Uma das hipóteses levantadas pela pesquisadora é a percepção equivocada de que a cannabis pode ajudar a reduzir ansiedade e estresse. “Existe um entendimento social distorcido de que a maconha teria efeito calmante. No entanto, dependendo da substância e da potência atual, pode ocorrer o oposto, com aumento do risco de transtornos ansiosos”, explica.

Apesar disso, a especialista ressalta que essa é apenas uma hipótese e que ainda são necessários estudos mais aprofundados para compreender os fatores que explicam o crescimento mais acentuado entre o público feminino.

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