Domingo, 12 de Julho de 2026

Home Copa do Mundo 2026 Copa do Mundo com 48 seleções virou um negócio para países ricos

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Com o aumento do número de seleções para 48, a Fifa tornou muito difícil a realização da Copa do Mundo num único país. Apenas países muito grandes e/ou muito ricos serão capazes, sozinhos, de fazer o investimento necessário para receber um evento desse porte. Esse parece ser mais um passo no crescente foco da organização máxima do futebol na política e nos negócios.

A dificuldade decorre principalmente do aumento do número de jogos. Na última Copa com 24 seleções, em 1994, houve 52 partidas. Nas Copas com 32 seleções, eram 64. Já o torneio deste ano terá o recorde de 104 jogos.

Mais jogos significam mais estádios. Na Copa do Brasil, em 2014, houve 12 cidades-sede. A Rússia também usou 12 estádios, em 2018. Já o Catar, apenas oito. Neste ano, com 48 seleções, são 16 cidades-sede, sendo 11 nos EUA, três no México e duas no Canadá.

Mais estádios significam mais investimentos e, possivelmente, mais desperdício. Dos 12 estádios da Copa no Brasil, apenas 7 são usados regularmente. O Mané Garrincha (Brasília) e as arenas da Amazônia (Manaus), das Dunas (Natal), Pernambuco (Recife) e Pantanal (Cuiabá) se tornaram elefantes brancos. A manutenção é cara e não há times locais na Série A do Brasileirão. Foi dinheiro jogado fora.

Além dos estádios padrão Fifa, é necessário ainda ter 48 (ou mais) centros de treinamento de alto nível e capacidade de hospedagem e transporte para um número maior de torcedores. Várias das obras viárias previstas para a Copa no Brasil só ficaram prontas depois do torneio. Algumas com anos de atraso, como é o caso da linha 17 do metrô de São Paulo, que começou a operar apenas neste ano. O trem-bala entre Rio e São Paulo nunca saiu do papel. Projetos apressados, mal feitos e atrasados também geraram enorme desperdício de dinheiro público.

Assim, as próximas Copas tendem a ser realizadas coletivamente ou por um país rico, que tenha a infraestrutura ou a disponibilidade de gastar. Assim serão as próximas duas Copas, já definidas.

A Copa de 2030 será um frankenstein que reunirá Espanha, Portugal, Marrocos, Argentina, Uruguai e Paraguai. Terá 20 cidades-sede, mas a América do Sul receberá apenas três partidas, em Montevidéu, Buenos Aires e Assunção.

A de 2034 ocorrerá na Arábia Saudita, e faz parte de um polêmico projeto de longo prazo de modernizar o país e reduzir a sua dependência da exportação de petróleo. Dos 15 estádios a serem utilizados, 10 serão novos. A construção das novas arenas e a reforma das já existentes custarão US$ 20 bilhões (mais de R$ 100 bilhões), segundo o orçamento inicial. Parece ser gasto desproporcional para um país de cerca de 35 milhões de habitantes e cuja média de público nos jogos do campeonato local de futebol não supera 8.000 pessoas.

Para 2038, especula-se que os EUA poderiam apresentar uma candidatura solo, já que, pelo rodízio de continentes adotado pela Fifa, caberá à Concacaf (a confederação das Américas do Norte, Central e do Caribe) organizar o evento. E se tornou praticamente impossível realizar uma Copa na região sem a participação americana.

Mas a ampliação do torneio para 48 seleções rendeu dividendos políticos e econômicos. As confederações da África e da Ásia dobraram suas vagas e foram as que mais ganharam. Além disso, a Fifa quase que dobrou, para US$ 11 bilhões no ciclo de quatro anos, a sua receita com a Copa do Mundo ampliada. A distribuição de vagas na Copa e de verbas ajudou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a ser eleito (em 2019) e reeleito (em 2023) por aclamação, sem oposição. As informações são do jornal Valor Econômico.

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