Sábado, 29 de Novembro de 2025

Home Variedades “Coração fica machucado”: brasileiros que vivem na Irlanda denunciam casos de xenofobia e racismo

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País hoje com uma das maiores comunidades de brasileiros na Europa, a Irlanda se tornou epicentro de casos de xenofobia e racismo contra imigrantes vindos do Brasil, com ampla repercussão nas redes sociais. Diante da proliferação de denúncias, O portal O Globo reuniu depoimentos de brasileiros que vivem há anos no país. Os relatos expõem casos de preconceito recorrentes e reforçam o sentimento de hostilidade, marginalização e negligência dessa população.

O Brasil está entre as três nações estrangeiras com mais pessoas vivendo em território irlandês, e ocupa o primeiro lugar da lista entre nações não-europeias. Segundo dados do Itamaraty, pelo menos 80 mil brasileiros viviam no país em 2024 — o que corresponde a 1,46% da população total —, contra 50 mil em 2021, o que representa um salto de 60% em apenas três anos.

Entre os episódios de violência contra brasileiros em solo irlandês, um caso recente é o da cabeleireira paulistana Lays Mendes, que mora desde 2017 em Dublin, capital do país, e conta sofrer ataques frequentes. Uma mulher não identificada faz questão de passar semanalmente em frente ao salão da brasileira para fazer ofensas de cunho racista e xenófobo. Lays registrou em vídeo um dos episódios, no fim de outubro.

— É um mix, sofro preconceito por ser brasileira mas ainda mais por ser uma mulher preta — afirma Lays. — É muito doloroso, nosso coração fica machucado.

Outras agressões, filmadas e postadas nas redes sociais pela cantora Valéria Mendes, irmã da cabeleireira, que em uma das ocasiões visitava o local, rapidamente ganharam projeção dentro dos grupos de emigrantes brasileiros na Irlanda. O vídeo teve mais de 6,5 milhões de visualizações entre TikTok e Instagram.

Lays chegou a procurar a polícia local, mas diz que os agentes relevaram a situação, comportamento que, na visão dela, está ligado à sua origem.

— A Garda (polícia nacional da Irlanda) não fez absolutamente nada — diz. — Somos imigrantes, isso torna tudo mais difícil.

A cabeleireira afirma que já pensou em voltar com os filhos para o Brasil, após as agressões. Um é brasileiro, de 13 anos. O outro nasceu na Irlanda, e tem seis anos. Ambos estão totalmente integrados ao país.

— Retornar, hoje, para eles, é recomeçar tudo do zero — afirma a paulistana.

A designer Júlia Sales, de 32 anos, deixou Salvador rumo a Dublin em 2017. Ela afirma que também já foi vítima de negligência policial por conta do seu país de origem e diz que há um clima de hostilidade.

— Ao meu ver, as pessoas estão perdendo a vergonha de serem explícitas e violentas, mas elas sempre nos viram como inferiores — conta. — Em 2020, fui atropelada por um carro que acelerou de propósito enquanto eu atravessava a rua e fugiu do local. Quando fui na ‘Garda’ (nome dado para a força policial nacional da Irlanda), me disseram que não podiam fazer nada, apesar da rua onde o episódio ocorreu ter câmeras de vigilância e de eu ter dado diversas informações sobre o ocorrido.

Grupos extremistas

Diretor da Rede Irlandesa Contra o Racismo (Inar, na sigla em inglês), Shane O’Curry explica que a percepção da população brasileira na Irlanda acompanha a ascensão de grupos de extrema direita que propagam o discurso anti-imigração dentro do país, assim como acontece no restante da Europa. Entre os dias 21 e 22 de outubro, a capital irlandesa foi palco de uma série de protestos anti-imigração marcados por casos de vandalismo e confronto entre os manifestantes e a polícia local, além de terem culminado em 23 prisões.

Mas apesar dos casos de xenofobia serem recorrentes, O’Curry afirma que o governo local não possui um sistema de coleta de dados robusto para compreender a gravidade do fenômeno no país.

— A polícia produz uma pouquíssima estatística com relação a crimes de ódio, e o Estado não tem uma estratégia para rastrear casos de preconceito — afirma. — Se você não sabe o tamanho do problema, não tem como resolvê-lo.

Uma pesquisa realizada em 2024 pelo Instituto Ipsos aponta que o número de irlandeses que consideram a imigração assunto-chave a ser debatido no país é de 22%, o equivalente a quase um entre quatro habitantes. Em 2023, o número era de apenas 15%. Segundo Shane O’Curry, a preocupação, quando aliada à onda extremista, coloca a população estrangeira, incluindo a brasileira, como culpada por fenômenos como o aumento da criminalidade e a diminuição de postos de trabalho, a exemplo do que ocorre em outros países da Europa. Com informações do portal O Globo.

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