Sábado, 21 de Maio de 2022

Home em foco Covid: Saiba por que a transmissão entre vacinados não deve ser motivo de alarme

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Quando a variante ômicron foi detectada na África do Sul, em novembro de 2021, houve um grande alarme com a disseminação exponencial da infecção. Essa velocidade fenomenal de propagação supera o que observamos nas variantes anteriores.

A tendência tem sido replicada em outras partes do mundo, incluindo o Reino Unido, onde o número de infecções dobrou a cada dois dias desde o início de dezembro.

O que aumentou a preocupação era que essa rápida disseminação estava ocorrendo entre uma população altamente vacinada (e, portanto, em teoria, altamente imune).

Será que a proteção que a vacina nos deu está falhando? À primeira vista, parecia que as vacinas não estavam funcionando. Mas isso depende de como a proteção de uma vacina é definida.

Primeiro, a vacina protege contra a infecção? Atualmente, há ampla evidência de que as vacinas não são muito eficazes na prevenção da infecção ou disseminação da infecção por pessoas vacinadas.

Isso foi ilustrado graficamente pelo evento de superespalhamento que ocorreu nas Ilhas Faroe, onde 21 dos 33 profissionais de saúde que foram vacinados triplamente e compareceram a uma reunião privada contraíram a ômicron.

Isso aconteceu apesar de vários terem feito testes PCR ou de antígeno 36 horas antes do evento.

Alguns — especialmente os antivaxxers — podem interpretar isso como prova de que as vacinas não funcionam. No entanto, isso não é inesperado. Mesmo contra outras variantes, como a delta, sabe-se que as vacinas não oferecem “imunidade esterilizante”, ou seja, prevenção total da infecção.

Ninguém afirmou que vacinas contra a covid oferecem imunidade esterilizante e que essa pode ser uma meta alcançável. No mínimo, eles oferecem uma pequena proteção contra infecções. No entanto, essa pequena proteção pode ajudar a retardar a propagação da infecção.

Papel do reforço

O que as vacinas fazem é fornecer proteção excelente de outro tipo. Até agora, as vacinas têm se mostrado ótimas na prevenção de doença grave. Essa proteção é tão importante, se não mais, porque evita que a maioria das pessoas infectadas seja hospitalizada e morra.

Contra a variante delta, a proteção das vacinas contra doenças graves e morte por covid foi de mais de 90%, com relativamente pouca queda de proteção em pelo menos cinco meses após duas doses.

Quando a ômicron foi descoberta pela primeira vez, havia a preocupação de que as mutações que ela produziria poderiam lhe permitir contornar a proteção das vacinas. Na verdade, os dados indicam que duas doses das vacinas Pfizer ou AstraZeneca ofereceram proteção limitada contra a ômicron.

Essa proteção da vacina foi rapidamente restabelecida com a dose de reforço, por isso há uma urgência em vacinar a população com a terceira dose.

Isso é especialmente importante para aqueles mais vulneráveis, como os idosos, que, em comparação com a população em geral, correm maior risco de contrair a forma grave da covid-19. Uma pessoa com 80 anos tem um risco 300 vezes maior de contrair covid severa em comparação com um adulto com menos de 40 anos.

Também é vital não esquecer que, embora a ômicron possa ser menos grave para os vacinados, ainda é uma infecção perigosa para os não vacinados.

O fato de que a imunidade esterilizante contra a covid não exista atualmente pode lançar dúvidas sobre se a “imunidade de rebanho” acabará com a pandemia.

A “imunidade de rebanho” é quando um número suficiente de pessoas adquire imunidade e essa imunidade bloqueia a transmissão, eventualmente eliminando o vírus, pois haverá cada vez menos pessoas para ele infectar.

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