Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026

Home Política CPI do Banco Master: ação que mira relação de ministros com Daniel Vorcaro está parada no Supremo

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O mandado de segurança protocolado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na última quinta-feira (17), pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) instale uma CPI para apurar a relação de ministros da Corte com Daniel Vorcaro, ainda não foi distribuído para um relator. De acordo com o parlamentar, desde que ele protocolou seu pedido, dos outros 14 processos que já deram entrada no tribunal, 12 já foram sorteados e tem um relator.

A ação de Vieira pede a abertura da CPI sobre a ligação de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Vorcaro e questiona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela demora em dar andamento ao requerimento de instalação da CPI do Master, que conta com 41 assinaturas.

No início deste mês, o ministro André Mendonça divulgou um relatório com uma troca de 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes em que o banqueiro se aconselha com o ministro sobre o inquérito que o levaria a prisão. Num determinado momento ele inclusive pergunta a Moraes, ao falar sobre a investigação em que acabaria preso numa segunda-feira: “acha que na segunda já tenho que estar fora?” .

Além disso, o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 131 milhões com o Master, pelo qual ela recebeu R$ 80 milhões, mas acabou extinto após a liquidação do banco.

A investigação da PF também mostrou que Viviane firmou um segundo acordo de R$ 50 milhões com outra empresa de Vorcaro, a Viking Participações, condenada no último dia 8 de setembro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por fraude na emissão de cotas de um fundo imobiliário que vendeu títulos a fundos de pensão de vários estados.

Em relação a Toffoli, a PF divulgou registros de ligações, mensagens e transações que envolviam direta ou indiretamente o ministro, como o pagamento de R$ 35 milhões do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o magistrado admitiu ser sócio. Em fevereiro deste ano, após a relação vir à tona, ele deixou a relatoria do caso Master.

Nas últimas semanas, dados extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) revelaram a relação do banqueiro com outros membros do STF. Na segunda-feira (21) , o portal Metrópoles divulgou um contrato de R$ 427 milhões do Master com um escritório de advocacia que tem como sócia Camilla Ramos, ligada ao ministro Kassio Nunes Marques. Ela e seu marido, o desembargador Newton Ramos, eram definidos por assessores de Vorcaro como “a turma do KN”, em alusão ao magistrado da Corte.

Vorcaro também tentou influenciar o voto de ministros da Segunda Turma do STF em casos envolvendo precatórios de interesse do Master no setor sucroalcooleiro. Um dos alvos foi Gilmar Mendes, em um processo relativo a um precatório da usina Alcídia, em que o decano acabou votando contra os interesses do banqueiro.

Mensagens obtidas pelos investigadores do caso Master mostram que o empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro, tinha em seu celular uma planilha com uma “lista dos pagamentos pendentes” que incluía o repasse de R$ 1 milhão ao empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Mendes. Em abril de 2024, o banqueiro foi aconselhado por Chiquinho a se aproximar de Gilmar, sob a alegação de que seria “importante para o futuro”, de acordo com diálogos.

Já na quinta-feira (17), o UOL publicou uma reportagem em que afirma que o Instituto Iter — empresa de André Mendonça que oferta cursos jurídicos — recebeu R$ 5,2 milhões da empresa de um sócio de Vorcaro, Lucas Kallas, dono da Cedro Participações, que atua no ramo da mineração. Mendonça disse que o valor foi um empréstimo, quitado antes de ele assumir a relatoria do caso Master.

Vieira argumenta que os outros oito mandados de segurança protocolados no dia 17 já contam com relator.

Os quatro processos ajuizados no dia seguinte também foram distribuídos para ministros responsáveis. Até mesmo um último mandado protocolado e autuado na segunda já foi distribuído para a ministra Cármen Lúcia. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)

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