Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de fevereiro de 2026
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que adiou a oitiva para ouvir Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Assim, a sessão da comissão para ouvir o banqueiro acontecerá em duas semanas, no dia 19 de fevereiro. A definição veio após pedido da defesa à CPMI e comprometimento de que não vão entrar com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando o não comparecimento ou o direito ao silêncio.
“Segundo eles [defesa], ele não poderia por um problema de saúde”, disse o presidente da comissão. No lugar de Vorcaro, que prestaria depoimento nesta quinta-feira (5), a CPMI do INSS deve ouvir o presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior, para entender como está sendo a atuação do órgão em relação a créditos consignados.
Na tarde desta terça-feira (3), Viana teve uma audiência com o ministro do STF, Dias Toffoli, responsável pelo inquérito sobre o Banco Master. Segundo o presidente, o ministro também teria concordado com a liberação de Vorcaro para ser ouvido pela CPMI.
Toffoli também teria se comprometido com o presidente da comissão em passar parte do inquérito sobre o Banco Master para a CPMI do INSS. Na semana passada, Viana afirmou que apesar do escândalo envolvendo o Banco Master, a CPMI quer apenas abordar questões relativas a contratos da instituição para empréstimos consignados.
Segundo o senador, 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master foram suspensos pelo INSS diante de “falta de comprovação da documentação”.
“Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas que não tinham comprovação, como os descontos ocorreram sem autorização”, disse o parlamentar.
Viana também afirmou que a CPI mista questionará Vorcaro sobre quais medidas foram tomadas para devolver o dinheiro aos clientes prejudicados. Em novembro, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou um documento à CPMI do INSS elencando a quantidade de reclamações registradas contra instituições financeiras em função de crédito consignado.
O crédito consignado é um empréstimo cujas parcelas são descontadas diretamente do salário ou benefício de quem o solicitou. De acordo com os dados, o Banco Master aparece como a 21ª instituição financeira com mais reclamações na Senacon entre 2019 e 2025. Ao todo, foram registradas 5.665.
O banco de Vorcaro não registrou reclamações em 2019 e fechou o ano seguinte com 11. Em 2021, sofreu 76 reclamações e já em 2023 superou a barreira dos mil apontamentos, registrando 1.511. No ano passado, o banco Master registrou a maior quantidade de reclamações dos últimos anos, foram 2.472. Isso colocou o banco no oitavo lugar, considerando contestações sobre o consignado em 2025. Com isso, no ano passado, o Master conseguiu ficar à frente de grandes instituições, como a Caixa Econômica Federal (2.012 reclamações), Banco do Brasil (1.992 casos) e o BRB (721 reclamações).
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já cobrou por três vezes, mas ainda não recebeu do Banco Master os documentos que atestem “a existência jurídica e a validade do consentimento” de aposentados e pensionistas relativos a mais de 250 mil empréstimos consignados firmados com o banco de Daniel Vorcaro.
O INSS bloqueou no dia 26 de novembro de 2025 cerca de R$ 2 bilhões, interrompendo os repasses ao Master, até que a investigação interna sobre esses contatos seja encerrada. A defesa de Daniel Vorcaro disse em nota “o Banco Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.