Quarta-feira, 01 de Abril de 2026

Home em foco CPMI do INSS encerra seus trabalhos com um rastro de frustração para quem imaginava que a comissão conseguiria ir além da ribalta política

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A CPMI do INSS encerra seus trabalhos com um rastro de frustração para quem imaginava que a comissão conseguiria ir além da ribalta política. O relatório final não transcendeu ao que a Polícia Federal já havia mapeado em suas operações. Apenas cumpriu o papel desejado pela oposição desde o início, e que o Planalto tentava evitar a todo custo: um enorme desgaste para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelas menções ao nome do seu filho e o resgate do tema corrupção na campanha eleitoral deste ano.

A ala bolsonarista venceu a narrativa na comissão. O relator, deputado federal Alfredo Gaspar (AL), recém filiado ao PL de Flávio Bolsonaro, chegou a sugerir a prisão de Fabio Luis da Silva, filho mais velho do presidente. Independentemente de mais à frente a investigação confirmar ou não envolvimento de Lulinha, a retórica da suspeição está posta.

Mesmo com investidas como quebras de sigilo barradas por decisões judiciais, o estrago reputacional foi consolidado. As menções reativam memórias de escândalos passados e dificultam o discurso ético que o PT tenta reconstruir para o pleito de outubro. A percepção de que o governo mobilizou sua base e conexões com o Supremo Tribunal Federal para blindar familiares tornou-se um ativo para a oposição, especialmente nas redes sociais, onde Lula já tem dificuldade de competir com seus opositores.

O tema corrupção, que vinha perdendo fôlego diante de pautas como economia e segurança pública, voltou a assombrar o Palácio do Planalto. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (26 de março de 2026), mostra que a corrupção saltou para o topo da lista de preocupações dos brasileiros, sendo citada por 59,9% dos entrevistados — uma alta de 5,6 pontos percentuais em relação a fevereiro. O tema agora supera a criminalidade (53%) e a inflação (24,9%) como o principal problema do país na percepção popular.

Narrativas

Nos próximos dias, outra CPI, a do Crime Organizado, também encerrará seus trabalhos. Com depoimentos frequentemente prejudicados por liminares do STF – que garantiram o direito ao silêncio, desobrigaram a presença dos convocados ou suspenderam quebras de sigilo – as comissões perderam a força de outrora.

Antigamente capazes de derrubar ministros e alterar o curso da história com provas robustas, as CPIs de hoje funcionam exclusivamente como palanques. São palcos para cortes de redes sociais e construção de narrativas eleitorais.

No caso do INSS, o resultado prático pode ser escasso para o Judiciário, mas para as urnas de 2026, o barulho recolocou o PT na defensiva e Lula sob o signo da desconfiança ética. (Coluna do Estadão)

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