Domingo, 05 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de abril de 2026
Chegou ao final da CPMI do INSS, que “investigou” a lambança dos descontos não autorizados de aposentados e pensionistas. E que final melancólico! A CPI nem mesmo conseguiu aprovar um relatório, que é produto final de uma Comissão desse tipo.
O relatório do deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (um horror!) foi reprovado por 19×12 dos membros da CPMI. Os governistas ainda elaboraram um relatório alternativo, mas que não foi examinado ou votado na Comissão.
Faz tempo que as Comissões de Inquérito estão em crise: é um desfile de ações espetaculosas, de acusações pueris, de quebras de sigilo a granel e sem critério – só muito raramente vem à tona um fato realmente digno, uma prova consistente, daqueles que ninguém questiona ou discute.
É um desenrolar caótico de berros e brados, em que os parlamentares partem da premissa de que vencerão o debate se gritarem mais alto, se se apresentarem como os mais valentes e corajosos.
E no fim, do parto da montanha nasce um ratinho esquálido, tantas são as patranhas, as manobras, os truques parlamentares, todos destinados não a mostrar a verdade, mas para confundir e esconder os fatos.
É muita mais uma disputa de facções, partidos e políticos, em que sai vencedor que teve a capacidade de deixar os fatos mais embaraçados, em que o distinto público fique ainda mais distante da verdade que todos juram perseguir.
As facções em combate agem por instinto. Nas votações da Comissão, salvo umas poucas exceções, os membros das CPIs aprovam ou desaprovam as proposições por um só e único critério: o do lado em que se situam, a favor ou contra o governo, a favor ou contra a oposição.
Neste caso da CPMI, as facções polarizadas do lulopetismo e do bolsonarismo, estiveram o tempo todo, em cada gesto, votação ou palavra, empenhados em atribuir ao adversário a culpa pelo escândalo.
Os membros são escolhidos a dedo para que não furem as respectivas bolhas. Não há lugar – por exemplo – para um grupo, pequeno que fosse, que atue com a regra rigorosa de se ater as aos fatos. Não há nenhum membro de CPI neutro, imparcial.
É mais uma consequência funesta da polarização em que estamos atolados.
Desse modo, as CPIs estão cada vez mais imprestáveis. Só contribuem para a desmoralização dos trabalhos legislativos. A população assiste a gritaria desenfreada, as interrupções, os debates estéreis, os xingamentos recíprocos e se pergunta: é nisso que se gasta o dinheiro do povo?
No caso da CPMI do INSS, sem relatório final, tudo acabou e resultou em um esforço inútil e um enorme dispêndio de dinheiro público.
A rigor, os dois lados foram vencedores. Perdedor só o respeitável público. Sem relatório, não se pode dizer que alguém foi indiciado ou se houve culpados. Todos foram, por assim dizer, absolvidos. Entre mortos e feridos se salvaram todos. O resultado final deveria merecer um brinde de governo e oposição, juntos, para celebrar a versão de que, afinal, ninguém começou, continuou ou patrocinou a lambança.
Depois não sabem por que estão tão desmoralizados perante a população.
(titoguarniere@terra.com.br)