Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de janeiro de 2026
Os investigadores do esquema que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master apontaram que os supostos crimes praticados revelam a existência de uma organização criminosa que atua desde a década passada. Segundo o Ministério Público Federal de São Paulo, os fatos investigados apontam para um esquema de planejamento de escalada de atividades criminosas.
“Nesse contexto, o histórico juntado pela Polícia Federal a respeito de anteriores investigações serve como indício da existência do crime de organização criminosa estruturada desde a década passada, bem como demonstra que os fatos sob apuração não foram fruto de uma situação ocasional de descontrole. Pelo contrário, tais fatos revelam o planejamento e a escalada das atividades criminosas dos envolvidos e devem ser assim valorados”, afirmaram os procuradores.
O trecho foi utilizado na decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro e outros integrantes da suposta organização criminosa. No documento, o MPF defendeu que a investigação deferia ser da Justiça Federal de São Paulo.
Toffoli considerou, entretanto, que as investigações eram ainda mais amplas do que as da Operação Compliance Zero, que já estavam sob sua relatoria, destacando que havia um contexto de aparente aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, a defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer irregularidade e informa que o “Banco Master não realizou operações destinadas a beneficiar terceiros ou familiares de seu controlador. Até a data da liquidação extrajudicial, o Sr. Vorcaro atuou de forma ativa para preservar a instituição e proteger credores e investidores, tendo realizado sucessivos aportes de capital para reforçar a posição financeira do banco.
A defesa permanece colaborando com as autoridades competentes e confia que o esclarecimento completo dos fatos afastará interpretações que não refletem a realidade”.
Em nota, a Reag informou “que não é parte em operações societárias ou comerciais das empresas mencionadas nem exerce controle ou ingerência sobre suas decisões, atividades ou estrutura de capital. As responsabilidades e decisões dessas companhias são exclusivas de seus acionistas e administradores.”
“A Reag esclarece que os recursos mencionados decorrem de operações de crédito estruturadas cujos desembolsos estavam vinculados ao avanço de projetos específicos. Por determinação contratual, a liberação das parcelas só poderia ocorrer após a confirmação de marcos de execução e aprovação técnica desses projetos.
Enquanto tais condições não eram verificadas, os valores não podiam ser utilizados e deveriam permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao próprio credor. Esse modelo, amplamente utilizado no mercado de crédito estruturado, assegura que os recursos permaneçam alocados e preservados até que os projetos atinjam suas fases de implementação e autorização formal”, afirmou a companhia. Com informações da Veja e O Globo.