Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

Home Economia Daniel Vorcaro diz à Polícia Federal que “forças internas do Banco Central” o queriam fora do Master e do mercado

Compartilhe esta notícia:

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que “forças internas do Banco Central e do mercado” queriam que “acontecesse o que aconteceu” – em uma referência à liquidação de sua instituição. Em depoimento à delegada Janaína Palazzo, que conduz o inquérito da Operação Compliance Zero – investigação sobre supostas fraudes de R$ 12,2 bilhões do Master -, Vorcaro respondeu a uma pergunta de seu advogado, Roberto Podval, sobre as razões pelas quais a venda do banco não foi consumada.

“Queriam que eu estivesse fora do mercado. Aliás, eu fui alertado lá atrás do que aconteceria, que eu seria retirado do mercado se eu não deixasse o banco. Eu me dispus a deixar. Eu me dispus a fazer todo o roteiro de sair, só que eu queria sair pela porta da frente, não gerando prejuízo para ninguém. E não foi isso que me deixaram fazer”, declarou Vorcaro.

O advogado do banqueiro fez as perguntas a ele depois dos questionamentos da delegada Janaína Palazzo.

“O sr. pode dizer qual foi a solução para o Banco Master quando foi comunicar ao Banco Central?”, indagou o advogado sobre a negociação de venda do Master.

“Era a venda das três instituições”, respondeu o banqueiro. “O Banco Master para um conjunto de investidores, que incluía a Fictor e investidores estrangeiros; a venda do Eubank para o fundo Mubadala; e a venda do banco de investimentos para uma holding brasileira, que tinha um investidor estrangeiro que eu também estava negociando, dos Emirados.”

Sobre a suposta tentativa de fuga, frustrada pela Polícia Federal na noite de 17 de novembro, quando Vorcaro foi localizado no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai, ele foi categórico.

“De maneira nenhuma. Não é do meu perfil, não seria o momento nem a forma. Encaro meus problemas de frente. Peço a grandeza dos senhores, com toda a pressão da mídia, para olhar e tentar imaginar esse negócio sob outro prisma”, disse o banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo, monitorado com tornozeleira eletrônica.

“Engendrando com o BRB”

O banqueiro relatou as negociações com o Banco de Brasília, o BRB, que tentou, segundo as investigações, comprar carteiras podres do Master. “A gente vinha planejando uma mudança de rota no final de 2024, em razão de diversas questões que estavam acontecendo, mercadológicas, de mudança de regulação que aconteceram, que pressionaram os canais do banco de distribuição”, explicou o banqueiro

Segundo ele, entre o final de 2024 e o início de 2025, o banco de Vorcaro estava em um “planejamento novo”.

“Já seria um negócio que a gente estava engendrando com o banco BRB. Então, nesse momento, na decisão de expandir a nossa originação e de trazer um portfólio maior do que a gente tinha e que a gente vinha trabalhando nos últimos meses, foi trazido esse negócio”, pontuou.

“Trâmite normal”

“Então, naquele momento ali, no final de 2024, início do ano de 2025, a gente estava num planejamento novo, que já seria um negócio que a gente estava engendrando com o banco BRB. Então, nesse momento, na decisão de expandir a nossa originação e de trazer um portfólio maior do que a gente tinha e que a gente vinha trabalhando nos últimos meses, foi trazido esse negócio”, prosseguiu Vorcaro.

A delegada questionou detalhadamente o banqueiro sobre a operação. “A minha dúvida é, esse controle das entradas, quem fazia esse repasse das informações para o sr.? Quem mostrou esses contratos para o sr.? Eram os dois diretores? Havia uma outra figura? O tesoureiro do banco, ele encaminhava os recebimentos relativos a essas carteiras?”.

Vorcaro foi evasivo. “Na realidade, eu tratei dos contratos macro da transação, que era uma transação que a gente adquiria portfólios, volumes de portfólios, e que a empresa teria, ou os sub-representantes da empresa teriam, tempo ali para poder entregar toda a documentação pertinente às operações. E nós nos resguardamos de todas as cláusulas e questões para algum vício documental.”

“Então, o senhor não tinha conhecimento, por exemplo, dos processos que foram submetidos às carteiras da Tirreno?”, insistiu a delegada. “Porque o senhor aparentemente me disse que existia um procedimento obrigatório de compliance relativo às carteiras de crédito, que era obrigatório, que deveria passar para uma gestão de riscos, é isso? Gestão de riscos, de compliance?”

Vorcaro respondeu que os processos mencionados pela delegada “geralmente seguem um trâmite normal.”

(Com informações do O Estado de S.Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Nova entidade médica promete emitir título de especialistas e abre guerra com Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira
Filho do ministro Gilmar Mendes vira “cartola” de futebol em Mato Grosso e ganha protagonismo na CBF
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Show de Notícias