Sexta-feira, 26 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de junho de 2026
Ao determinar a transferência de Daniel Vorcaro para a Papudinha, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), também ordenou que o empresário fique absolutamente incomunicável em relação ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que também está preso na unidade por causa da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
Na decisão, o ministro determinou que a direção do presídio adote “todas as providências necessárias para preservar a absoluta incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero” e comunique imediatamente ao Supremo qualquer episódio de ameaça, intimidação ou tentativa de interferência entre eles.
“Considerando a presença de outro investigado na Operação “Compliance Zero” nas mesmas instalações, impõe-se a adoção das providências administrativas necessárias para assegurar a absoluta incomunicabilidade entre o referido investigado e o requerente, com vistas à preservação da higidez e efetividade das investigações em curso”, disse.
A determinação foi adotada porque Paulo Henrique Costa já está custodiado na Papudinha. Segundo apurou o jornal O Globo, esse foi um dos impasses analisados antes da decisão. Interlocutores afirmam, porém, que não havia um “lugar perfeito” para manter Vorcaro preso. Ao final, prevaleceu a avaliação da Polícia Federal de que a permanência do empresário na carceragem da Superintendência da corporação já não era mais adequada após o fracasso das negociações de delação.
Na decisão, Mendonça afirma que a PF considerou incompatível manter Vorcaro por mais tempo na Superintendência, já que isso impunha “dificuldades operacionais e administrativas” e contrariava a vocação institucional da unidade policial. Ao mesmo tempo, o ministro também descartou o envio do empresário para uma cela comum, por entender que há risco concreto à sua integridade física em razão da repercussão do caso.
Vorcaro é suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras que lesou correntistas e investidores do Master, o que incluiu fundos de previdência de estados e municípios, como o Rioprevidência. O rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que arca com aplicações de até R$ 250 mil, foi de cerca de R$ 50 bilhões.
O banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai, episódio interpretado pela PF como tentativa de fuga.
Ele chegou a ser solto semanas depois, mas voltou a ser preso em março deste ano, já sob a relatoria de Mendonça. Na ocasião, o ministro acolheu argumentos da PF de que o empresário atuaria como líder de uma organização criminosa voltada a monitorar e intimidar pessoas que contrariavam interesses do banco. (Com informações do jornal O Globo)