Terça-feira, 09 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de junho de 2026
A menopausa marca o fim da vida reprodutiva da mulher e ocorre após 12 meses consecutivos sem menstruação. No entanto, até sete anos antes disso ocorrer, o nível dos hormônios femininos estrogênio e progesterona começam a cair e os sintomas associados à condição aparecem. Esse período é chamado de perimenopausa.
Um estudo mostrou que a mulher brasileira entra na menopausa, em média, aos 48 anos. Já a perimenopausa começa a partir dos 40 anos, na maioria dos casos.
Ondas de calor, alterações no humor e dificuldade para dormir são os sintomas mais comuns do período, mas há outros que podem indicar que os níveis de estrogênio estão caindo como redução da libido, menstruação irregular, suor noturno, secura vaginal, ganho de peso, ansiedade e perda de confiança, confusão mental e problemas de memória, depressão ou mau humor, dores articulares, dificuldade de concentração, dificuldade para dormir ou sono interrompido, irritabilidade, entre outros.
Com o passar do tempo, a falta de estrogênio passa a ter outras consequências, com repercussões na saúde óssea, na composição corporal, na pele, no cabelo e no sistema cardiovascular.
“Então, a gente pode ter maior risco de osteoporose, osteopenia, maior risco de alteração de colesterol, hipertensão, pré-diabetes. Isto é, maior risco de eventos cardiovasculares”, diz a ginecologista Rita Dardes, membro da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO.
As brasileiras estão entre as mulheres que mais sofrem os impactos negativos da menopausa. De acordo com a pesquisa Experiência e Atitudes na Menopausa, realizada pela farmacêutica Astellas em seis países, 8 a cada 10 mulheres brasileiras vivenciaram sentimentos psicológicos negativos devido à menopausa, incluindo ansiedade (58%), depressão (26%), constrangimento (20%) e vergonha (16%). Em comparação com os números globais, as brasileiras parecem sofrer mais com estes sintomas.
Por isso, tratar a perimenopausa – quando os sintomas começam a aparecer – e a menopausa é fundamental não só para a saúde como para uma boa qualidade de vida. Os tratamentos visam justamente aliviar esses sintomas, em especial as ondas de calor, que são a principal queixa das mulheres.
“O que mais traz a mulher até o nosso consultório, sem dúvida nenhuma, são os fogachos”, diz Dardes. “Mas ele vem em combo, com sintomas como dores articulares, secura vaginal, queda de libido e brain fog, que ocorre com grande prevalência.”
Os fogachos estão presentes em 70% das mulheres, de acordo com a endocrinologista Karen de Marca, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), e podem ser leves, moderados ou graves, dependendo da quantidade de vezes que acontecem por dia ou semana. Por isso, o “primeiro objetivo, quando pensamos em uma terapia para a menopausa, é controlar esses calores”, diz a médica.
As especialistas são unânimes em dizer que a terapia de reposição hormonal é o tratamento mais eficaz para a maioria desses sintomas.
Embora a reposição hormonal seja o padrão ouro no tratamento, nem todas as pessoas podem ou desejam utilizá-la. É por isso que os remédios alternativos atraem tanta atenção. Confira abaixo quais alternativas de fato funcionam para a menopausa.
Terapia hormonal
A terapia hormonal sistêmica, disponível em comprimidos, adesivos, géis, cremes ou sprays, repõe o estrogênio perdido durante a menopausa e é o principal tratamento para controlar os sintomas. A via de administração fica a critério do médico e varia de acordo com as preferências e o contexto clínico da paciente.
“A terapia hormonal controla 80% dos sintomas de fogachos. Ela também melhora queixas de sono, a libido e a função sexual”, diz a endocrinologista.
Para mulheres sem útero, apenas a reposição de estrogênio é suficiente. Já para aquelas com útero, é preciso administrar a terapia combinada com progestógeno. O objetivo é a proteção contra o câncer de endométrio.
Apesar de toda a eficácia da terapia hormonal, é preciso introduzi-la no momento correto. “Todos os estudos comprovaram que a terapia hormonal é eficaz e protetora desde que instalada até 10 anos da data da última menstruação e não mais do que 60 anos de idade”, explica Dardes.
Isso ocorre porque após esse período, o corpo já se adaptou à ausência do estrogênio e administrá-los nessas condições representa mais riscos do que benefícios. Além disso, a terapia de reposição hormonal tem algumas contraindicações, como pacientes com câncer de mama, aquelas que tiveram infarto, AVC, trombose ou sangramento sem causa aparente. Por isso é fundamental uma avaliação médica rigorosa antes do início do tratamento.
Há ainda a terapia com testosterona, que pode ser indicada para mulheres com disfunção sexual na pós-menopausa e que não apresentaram melhora com tratamentos prévios. Enquanto na terapia de reposição de estrógeno e progestógeno há opções seguras disponíveis em farmácias comuns, a testosterona para mulheres precisa ser manipulada, pois não está disponível no mercado.
Medicamentos não hormonais
Antidepressivos, em especial os inibidores de recaptação da serotonina (ISRS), podem ser usados para o tratamento da menopausa, incluindo para controle dos fogachos porque na gênese do fogacho está envolvida a queda de neurotransmissores, principalmente de serotonina. Dentre eles, os mais eficazes, segundo Dardes, são a paroxetina, venlafaxina e desvenlafaxina. Esses medicamentos também ajudam a melhorar o humor.
A gabapentina, um medicamento anticonvulsivante e analgésico, pode ser usado para controlar as ondas de calor e melhorar o sono, mas como tem muitos efeitos colaterais, acaba sendo pouco utilizado. A pregabalina, embora menos eficiente que a gabapentina, é outro anticonvulsivo com ação para melhorar fogachos. Já a clonidina é um anti-hipertensivo que ajuda na redução dos fogachos.
Nos últimos anos, surgiram dos novos medicamentos não hormonais desenvolvidos especificamente para tratar ondas de calor. São eles: fezolinetante, da Astella, e o elinzanetante, da Bayer. Esses medicamentos agem bloqueando uma via cerebral que regula a temperatura corporal, mas ainda não estão disponíveis no Brasil. Ambos aguardam aprovação da Anvisa.
Estilo de vida
Algumas alterações no estilo de vida também ajudam no controle dos sintomas, isso inclui reduzir o tabaco, o consumo de álcool e perder peso. “Toda pessoa com índice de massa corpórea elevada não dissipa o calor. Então, é importante a gente também reduzir peso”, explica Dardes.
Estudos não conseguiram comprovar que a atividade física e uma alimentação saudável influenciam diretamente no controle das ondas de calor, mas são partes fundamentais de uma boa saúde e contribuem para o controle do peso. A atividade física, especificamente os exercícios de força, como a musculação, ajudam a prevenir osteoporose, osteopenia e a sarcopenia.