Terça-feira, 10 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de março de 2026
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que o ex-presidente receba na prisão a visita de Darren Beattie, integrante do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Bolsonaro está preso no Complexo da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
No pedido encaminhado ao Supremo, os advogados afirmam que Beattie estará em Brasília em agenda oficial e permanecerá na capital por curto período. Segundo a defesa, isso inviabilizaria a visita nos dias normalmente permitidos pelo presídio, às quartas-feiras e aos sábados.
Diante disso, os advogados pediram autorização excepcional para que o encontro ocorra no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, pela manhã ou no início da tarde, respeitando as regras de segurança da unidade prisional.
A defesa também solicitou autorização para que Beattie esteja acompanhado de um intérprete durante a visita. No documento, os advogados argumentam que a presença seria necessária porque Bolsonaro não tem fluência em inglês.
Político de extrema-direita, o assessor de Trump já classificou Moraes como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”.
No site do Departamento de Estado dos EUA, Beattie é descrito como “um defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática”.
No requerimento feito a Moraes, a defesa de Bolsonaro pede que, de maneira excepcional, a visita do norte-americano seja autorizada no dia 16 de março, uma segunda-feira, ou no dia 17, uma terça-feira. As visitas ao ex-presidente, geralmente, são agendadas para quartas e sábados.
Darren Beattie estará no Brasil na próxima semana. Na quarta-feira (18), ele deve participar, segundo fontes ligadas ao governo Trump, de um evento sobre minerais críticos em São Paulo.
A agenda do assessor da gestão Trump no Brasil ocorre em meio a discussões, nos EUA, sobre classificar facções criminosas brasileiras, caso do PCC e do Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras.
O governo brasileiro tenta evitar essa classificação por receio de que isso possa levar a uma intervenção estrangeira no país. Beattie provocou um incidente diplomático com o Brasil ao criticar, em uma publicação no X em meados de 2025, a atuação de Moraes no processo contra Bolsonaro e aliados.
Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários. Moraes relatou o processo criminal contra Bolsonaro, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump. Bolsonaro acabou condenado por decisão da Primeira Turma do STF.
Os EUA chegaram a sancionar Moraes, acusando-o de autorizar detenções preventivas arbitrárias e de suprimir a liberdade de expressão ao conduzir casos relacionados à suposta trama golpista de 2022.
Após o anúncio das sanções contra Moraes, Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente e destacado político de direita no Brasil, agradeceu a Beattie por seus esforços em uma publicação no X.