Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de janeiro de 2026
Delcy Rodríguez foi empossada nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, retirado do país pelos Estados Unidos em uma operação militar.
“Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos”, disse Rodríguez em seu juramento. “Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos”.
Rodríguez era a vice-presidente de Maduro e a primeira na linha de sucessão. A Suprema Corte, controlada pelos chavistas, ordenou que ela assumisse o cargo por 90 dias — prazo este que poderá ser estendido.
Ao assumir o poder como presidente interina, Delcy não dá seguimento à sucessão presidencial em si, de vice-presidente para chefe de Estado oficialmente. Isso significa que a líder chavista, aliada de Maduro, ocupa o cargo de forma transitória até que o presidente regresse ao poder.
Especialistas jurídicos ressaltam que esse movimento faz parte da estratégia legal para que Maduro possa alegar no tribunal americano que é chefe de Estado de um país, portanto, imune às acusações da Justiça dos EUA.
Rodríguez, uma advogada trabalhista de 56 anos conhecida por suas fortes ligações com o setor privado e sua devoção ao chavismo, tomou posse perante seu irmão Jorge, presidente da Assembleia Nacional.
O pai de ambos foi um líder revolucionário torturado e morto pelo governo venezuelano nos anos 1970, na época apoiado pelos EUA.
Também tomaram posse nesta segunda-feira 283 parlamentares eleitos em maio do ano passado. Apenas um pequeno número deles é classificado como oposição – a maior parte da oposição, especialmente a parte liderada pelo ganhador do Prêmio Nobel Machado, boicotou o pleito.
A única parlamentar ausente foi a primeira-dama Cilia Flores, que está sob custódia dos Estados Unidos. As Forças Armadas da Venezuela já haviam reconhecido, no domingo (4), Delcy Rodríguez como presidente interina do país após a prisão de Maduro.
Também no domingo, ela divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo diálogo, o fim das hostilidades e uma “agenda de colaboração”, menos de 24 horas após a captura de Nicolás Maduro por uma operação militar norte-americana.
O documento afirma que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar um conflito armado.
“Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu Delcy.
A dirigente chavista propõe o estabelecimento de uma “agenda de cooperação” com Washington e defende um relacionamento baseado na “não ingerência”, citando o líder deposto: “Esse sempre foi o predicamento [postura] do presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento”. (Com informações do portal de notícias g1)