Terça-feira, 31 de Março de 2026

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Depois de agir praticamente isolado para identificar as fraudes do Master e decretar a sua liquidação – junto com a Polícia Federal (PF), agora o Banco Central (BC) é também a única instituição em Brasília que faz investigações internas, revê procedimentos e estruturas e busca mudanças na legislação do sistema financeiro para reduzir o risco de repetição de um escândalo financeiro dessas proporções.

O esforço passa por uma autocrítica sobre falhas regulatórias que permitiram que um banco médio se alavancasse por meio de captações seguradas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O modelo abriu espaço para uma sequência de fraudes com prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões e acabou arrastando o BRB, que hoje apresenta um rombo de ao menos R$ 8 bilhões.

Já foram colocadas em prática as primeiras mudanças, com o aperto regulatório para fechar brechas, reforço na governança interna e investimentos em tecnologia para detectar fraudes. Mas técnicos do Banco Central ouvidos pelo Valor dizem que o próximo escândalo pode surgir não por falta de diagnóstico, mas de pessoal, de dinheiro e de instrumentos legais completos, que dependem do Congresso.

A primeira correção de rota foi ainda na gestão de Roberto Campos Neto, em dezembro de 2023, quando o BC determinou que os bancos só poderiam captar em CDBs garantidos pelo FGC até seis vezes seu patrimônio líquido – mas que foi insuficiente para brecar o Master. A porta foi fechada apenas em 2025, quando o BC adotou uma regra mais dura para bancos cujo modelo de negócios se apoia em captações garantidas pelo seguro de depósitos do FGC.

Há mais medidas a ser adotadas. Uma delas são exigências de liquidez para evitar descasamento entre captações de varejo por meio de CDBs e aplicações de bancos de atacado. Também deverá haver um disciplinamento na remuneração paga pelos bancos a plataformas que distribuem os CDBs.

Tudo isso está no contexto de uma reorientação mais geral da administração de Gabriel Galípolo de focar no coração do mandato do BC, ou seja, na estabilidade monetária e financeira. Sob Campos Neto, a ênfase foi na desregulamentação para facilitar a inovação. Ampliou o acesso da população a produtos financeiros melhores e mais baratos, mas fragilizou o sistema.

Desde o ano passado, o BC tem pesado mais o lado da segurança, com medidas como exigências de capital e de autorização para a abertura de fintechs – instituições de pagamento sem licença do BC atuaram em fraudes e lavagem de dinheiro ou não tinham recursos para investir em barreiras contra o crime.

O banco de Daniel Vorcaro tinha má reputação, e vários interlocutores do mercado financeiro alertaram Campos Neto e diretores do BC para operações excessivamente arriscadas, ativos sobrevalorizados e indícios de fraudes no balanço.

Ainda assim, apenas em fevereiro de 2025, dois meses depois de Galípolo assumir o cargo de presidente do BC, foram identificados os primeiros indícios de fraudes nas carteiras do Master que estavam sendo adquiridas pelo BRB.
Meses depois, em novembro de 2025, depois que o Master foi liquidado, Galípolo determinou a investigação de dois funcionários do Departamento de Supervisão – o chefe Belline Santana e o subchefe Paulo Souza – por terem produzido uma carta fora dos padrões do BC que apoiou argumentos para a soltura de Vorcaro em sua primeira prisão. Após apurações da Polícia Federal, neste ano descobriu-se que eles recebiam dinheiro do esquema do Master para atuar em seus interesses dentro do BC.

Segundo apurado pelo Valor, Campos Neto, assim que ouviu alertas de participantes do mercado sobre problemas no Master, em 2024, determinou a Souza que fizesse um pente-fino nas operações da instituição. Conforme esses relatos, Souza informou que não havia irregularidades.

A aprovação do projeto de resolução bancária é vista, dentro do BC, como fundamental para dar continuidade à limpeza do segmento de fintechs
Um ano e meio depois, em novembro de 2025, o BC informou ao Ministério Público que o Master havia realizado R$ 11,5 bilhões em operações de crédito fraudulentas, com desvio de recursos a seus controladores por meio de fundos de investimento administrados pela Reag, de João Carlos Mansur. (Com informações do Valor Econômico)

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