Quinta-feira, 30 de Maio de 2024

Home em foco Depois de terminar a corrida presidencial em quarto lugar, seu pior desempenho numa disputa ao Palácio do Planalto, e passar uma temporada nos Estados Unidos, Ciro Gomes voltou

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Depois de disputar quatro corridas presidenciais, o ex-governador diz agora que não pretende mais disputar eleições. Ciro reconheceu que o resultado que obteve na última disputa não foi representativo e avalia que não o credencia para uma nova tentativa. Em 2022, ele teve 3% dos votos válidos. Cenário diferente de 2018, quando teve 12% e ficou em terceiro lugar.

“Quero me desintoxicar. Não é razoável, a partir de certo limite tem que ter uma humildade. Eu não represento uma corrente de opinião mais. Sou um democrata visceral mesmo. Alguma coisa está errada comigo, não é com o povo”, disse.

Ciro afirmou que pretende contribuir com o partido no campo ideológico, mas sem disputar cargos. “Eu dei ao povo brasileiro o meu viver. Vou morrer militando, vou achar outro caminho. Já estou agarrado em um livro. Eu vou ficar militando, mas candidato neste momento, não gostaria de ser”, explicou.

Quarto lugar na eleição presidencial do ano passado, Ciro está ausente do debate político nacional desde o resultado do segundo turno, em outubro, e não tinha feito nenhum comentário sobre o governo de Lula, que tomou posse há pouco mais de quatro meses. Seu partido está na base de Lula no Congresso e tem Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda, como ministro da Previdência.

Da mesma forma que o irmão, o senador Cid Gomes Gomes (PDT-CE) já havia feito críticas ao governo e reclamou da forma como o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, negocia com o Centrão.

Ciro Gomes tem um histórico de idas e vindas com o presidente. Ele foi ministro da Integração Nacional de Lula de 2003 a 2006 e apoiou Dilma Rousseff nas eleições de 2010 e 2014. No entanto, durante a disputa de 2018, após não ter conseguido o apoio do PT para concorrer ao cargo de presidente, passou a fazer uma série de críticas a Lula e ao partido.

Críticas

Sete meses após registrar seu pior resultado numa eleição presidencial, o ex-ministro Ciro Gomes voltou a participar de um evento público nesta sexta-feira. Em discurso para estudantes da faculdade de direito da Universidade de Lisboa, o pedetista afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “responsável pelo reacionarismo no Brasil” e que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está “entregue à banqueirada”. É a primeira vez que o presidenciável, grande crítico do PT e de Lula, faz uma avaliação do novo governo.

“O Lula nunca quis mudar, não tem compromisso com a mudança do Brasil, é o responsável pelo reacionarismo dominante hoje no Brasil. Ganha com isso”, disse.

Ciro comentou uma reportagem do jornal O Globo, que revelou que o senador Davi Alcolumbre (União-AP) indicou emendas sob suspeita de superfaturamento. “A Codevasf está fazendo investimento superfaturado no Amapá neste governo. A direção e as práticas que estão lá são as mesmas, é por lá que se esvai o orçamento secreto. Como nós vamos fazer? Deu certo isso? É uma pergunta simples”, criticou.

“Caramba, o Lula foi parar na cadeia. Será possível que não aprendemos nada? Ou nós acreditamos que Lula foi inocentado? Ele não foi. O Lula teve direito à presunção de inocência restaurada. É diferente de ser inocentado em um julgamento”, disse.

Apesar disso, Ciro avaliou que Lula não teve “o devido processo legal”.

O ex-ministro também disse que deseja que o governo acerte. “Estou começando a ter prazer de falar e não posso voltar a ter esse prazer. Estou em processo de detox. Por favor colaborem nas perguntas. Os petistas moderem aí, não peçam para eu puxar. Eu estou dentro do barco, quero que acerte”, observou.

Ele diferenciou o petista do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Claro que Lula e Bolsonaro são pessoas muito distintas. Com o Lula eu me sento para tomar uma cerveja e dizer essas verdades todas para ele. Com Bolsonaro, eu não saio”, disse. Ciro também disse que ajudou Lula “a vida inteira” e que crê “estar ajudando ainda, embora de outro jeito.”

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