Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026

Home em foco Deputada federal Carla Zambelli diz que Bolsonaro não tem relação com hacker e assume responsabilidade

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Alvo de operação da Polícia Federal (PF) nessa quarta-feira (2), a deputada Carla Zambelli (PL-SP) buscou eximir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de culpa e afirmou em entrevista à imprensa que contratou o hacker Walter Delgatti Neto para fazer uma conexão entre suas redes sociais e seu site, sem o objetivo de fraudar a eleição. “Se houver qualquer coisa relacionada a Walter Delgatti, é Carla Zambelli que responde. O presidente Bolsonaro não tem nada a ver com isso”, afirmou.

Zambelli deu a entrevista acompanhada de sete deputados do PL, mas não contou com a participação de figuras de mais peso, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ou o líder da bancada. O ex-presidente e grande parte da bancada a isolaram politicamente após ela correr armada contra uma pessoa na rua que a xingou perto do segundo turno da eleição presidencial. Nesta quarta-feira, o Conselho de Ética da Câmara pode abrir representação contra ela que pode levar à cassação.

Na entrevista, Zambelli procurou mostrar proximidade com o ex-presidente e disse que a operação visava atingi-lo por causa “da minha proximidade com ele”. Ela negou que tenha contratado Delgatti para fraudar as urnas eletrônicas e disse que ele a procurou na saída de um hotel, pediu seu telefone e que tiveram “duas ou três reuniões sobre questões de tecnologia”.

Ela disse que levou Delgatti para uma reunião com o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e depois foram encontrar Bolsonaro. “O presidente perguntou se as urnas são seguras e ele disse que nenhum sistema eletrônico é seguro”, afirmou ela. A conversa, segundo Zambelli, não resultou em mais nada e Bolsonaro nunca mais teve contato com o hacker. “por certo, o presidente deve ter ficado com receio de contratar uma pessoa assim”, disse.

Ela afirmou que pagou R$ 3 mil em novembro ao hacker, que foi responsável pela divulgação de mensagens de celular da Força Tarefa da operação Lava-Jato e do ex-juiz Sergio Moro, para que ele fizesse um serviço nas suas redes sociais, que não foi concluído. Ela contestou a acusação de que isso seria um pagamento para tentar fraudar as eleições e disse que repassou o dinheiro já após o segundo turno. “Eu não fraudaria a eleição para o Lula vencer e nem seria tão barato”, justificou.

Ela negou ainda que tenha atuado junto com Delgatti para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Quem fez isso, disse, o fez por uma piada. “Eu não arriscaria ser presa por uma piada”, disse.

Zambelli afirmou que prestará depoimento à Polícia Federal na segunda-feira (7).

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