Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Home Rio Grande do Sul Deputada gaúcha pede que o governo do Estado reconheça calamidade pública no RS por causa dos feminicídios

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A deputada estadual gaúcha Laura Sito (PT) protocolou ofício ao governo do Estado, pedindo reconhecimento de estado de calamidade pública diante da escalada de feminicídios. No documento ele menciona as dez mortes de mulheres nesse tipo de crime no Rio Grande do Sul em apenas 27 dias desde o início do ano, além do alto número de ataques: para cada óbito, há três sobreviventes.

Na avaliação da parlamentar, a medida possibilitará ações em caráter emergencial, bem como a flexibilização de procedimentos e a ampliação de investimentos essenciais, proporcionando assim mais recursos, maior agilidade e melhor coordenação entre os entes públicos. Ela argumenta que atual cenário configura uma emergência permanente:

“O feminicídio é a expressão mais brutal de uma violência estrutural e cultural profundamente enraizada em nossa sociedade. Não há como o Estado se omitir e nem tratar como casos isolados aquilo que, na verdade, apresenta um padrão sistemático”.

No documento, a deputada alerta para o agravamento da situação com a proximidade do Carnaval, período historicamente marcado pelo aumento da violência de gênero, especialmente em contextos de consumo de álcool e grandes aglomerações:

“Carnaval não pode ser sinônimo de medo para as mulheres. O governo precisa agir agora, com medidas excepcionais, antes que mais vidas sejam perdidas”.

Laura Sito também reivindica o reforço imediato da rede de proteção, com plantão ampliado nas delegacias especializadas e a mobilização extraordinária de recursos, dentre outras medidas. “O pedido busca garantir respostas urgentes e estruturais para conter a escalada da violência e impedir que o poder público siga se omitindo diante da morte de mulheres no Rio Grande do Sul”, finaliza.

Resumo cronológico

– 5 de janeiro, Guaíba: bombeira civil e mãe de um menino de 10 anos, Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte foi esfaqueada até a morte pelo ex-companheiro, que depois tentou simular cenário de suicídio da vítima. Idade: 31 anos.

– 14 de janeiro, em Canguçu: Letícia Foster Rodrigues teve o corpo encontrado em área de vegetação. Ela obtivera medida protetiva contra o ex-companheiro, suposto autor do crime e que acabou preso a mais de 200 quilômetros do local do feminicídio. Idade: 37 anos.

– 18 de janeiro, em Santa Rosa: Marinês Teresinha Schneider foi morta a tiros, dentro de casa, pelo ex-marido, contra quem tinha medida protetiva. Idade: 54 anos.

– 18 de janeiro, em Porto Alegre: Josiane Natel Alves não resistiu a nove facadas, em frente à filha. O ex-companheiro acabou preso em flagrante. Idade: 32 anos.

– 19 de janeiro, em Porto Alegre: Paula Gabriela Torres Pereira foi esfaqueada fatalmente pelo ex-companheiro quando aguardava a chegada do ônibus em uma parada na rua. Idade: 39 anos.

– 20 de janeiro, em Sapucaia do Sul: Mirella Santos, de 15 anos, foi assassinada com facadas no pescoço, rosto e costas pelo namorado, dez anos mais velho, em Sapucaia do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre. A jovem foi acompanhada pela Patrulha Maria da Penha, mas solicitou encerramento da proteção no início do ano. Idade: 15 anos.

– 20 de janeiro, em Muitos Capões: Uliana Teresinha Fagundes não viveu muitas horas após assinar a papelada do divórcio: o ex-marido foi a seu encontro e tirou a vida dela a tiros. Idade: 59 anos.

– 24 de janeiro, em Novo Hamburgo: Karizele Oliveira Senna morreu assassinada pelo ex-marido, diante das filhas (de 12 anos e de 8 meses). O autor do crime já havia sido alvo de registro policial por agressão doméstica. Ela foi esfaqueada pelo companheiro em Novo Hamburgo, que já tinha uma ocorrência de violência doméstica e chegou a ser alvo, no passado recente, de uma medida protetiva, não mais vigente no dia do feminicídio. Idade: 30 anos.

– 25 de janeiro, em Tramandaí: Leila Raquel Camargo Feltrin foi trucidada a golpes de faca desferidos pelo companheiro. Anteriormente, ela tinha acionado a Brigada Militar mas acabou voltando atrás na hora de efetivar denúncia. Idade: 24 anos.

– 26 de janeiro, em Santa Cruz do Sul: Paula Gomes Gonhi estava em casa quando o ex-companheiro a atingiu com golpes de faca no pescoço, no quarto onde ela dormia. Idade: 44 anos.

(Marcello Campos)

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