Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de fevereiro de 2026
Em uma derrota para a ex-deputada federal Carla Zambelli, a Justiça italiana recusou, nessa terça-feira (10), o pedido apresentado por sua defesa para que os magistrados responsáveis pela análise do processo de extradição fossem substituídos. A solicitação havia sido feita sob o argumento de falta de imparcialidade, mas foi rejeitada pela Corte. Com a decisão, permanece a expectativa de que a audiência sobre a extradição de Carla Zambelli seja realizada nesta quarta (11), conforme o cronograma previsto pelas autoridades judiciais italianas.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ex-parlamentar deixou o Brasil após a decisão e se deslocou para a Itália. Desde então, a Justiça brasileira a considera foragida. O pedido de extradição foi formalizado pelo governo brasileiro com base na condenação transitada no STF.
Em dezembro, o Supremo determinou a cassação do mandato de Carla Zambelli, revertendo uma decisão anterior da Câmara dos Deputados que havia sido contrária à perda do cargo. Antes que a decisão do STF fosse efetivada, a então deputada apresentou uma carta de renúncia ao mandato parlamentar.
O processo de extradição vem sendo analisado pela Justiça italiana há meses e já sofreu diversos adiamentos. Em uma das ocasiões, a audiência foi suspensa em razão da adesão da defesa de Zambelli a uma greve de advogados em Roma. Em outro momento, o adiamento ocorreu após a apresentação de novos documentos por parte dos advogados da ex-deputada, o que levou a Corte a solicitar mais tempo para análise do material.
Ainda em dezembro, a defesa apresentou uma série de argumentos contrários à extradição. Entre eles, foi levantada a situação do sistema carcerário brasileiro e as condições em que Carla Zambelli cumpriria pena caso fosse extraditada. Segundo as informações encaminhadas à Justiça italiana, a ex-deputada seria encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Diante dessas alegações, a Justiça italiana decidiu suspender temporariamente o julgamento do pedido de extradição para aguardar esclarecimentos oficiais sobre as condições penitenciárias no Brasil. Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, encaminhou um documento de 11 páginas à Corte italiana. No texto, Moraes afirmou que nunca houve rebeliões na unidade prisional, destacou a oferta de cursos técnicos às detentas e informou que há atendimento médico regular, em conformidade com padrões de salubridade, segurança e assistência previstos em normas internacionais.
Após a decisão da Corte de Apelação italiana sobre o pedido de extradição, ainda caberá recurso à Corte de Cassação. Concluída essa etapa, o ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, será responsável pela decisão final. Caso ambas as Cortes se posicionem contra a extradição, o ministro será obrigado a negar o pedido. (Com informações da coluna Radar, do portal da revista Veja)