Domingo, 25 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de janeiro de 2026
Dezembro de 2025 frustrou as expectativas e se consolidou como o pior mês do ano para o varejo de alimentos. Tradicionalmente, o período registra forte demanda, impulsionada pelas festas de fim de ano e pela entrada do 13º salário, o que costuma garantir bons resultados ao setor sem a necessidade de grandes estímulos promocionais.
No entanto, o desempenho ficou aquém do esperado, mesmo após a desaceleração da inflação dos alimentos a partir de junho — fator que contribuiu para que a inflação geral fechasse o ano abaixo do teto da meta de 4,5%. Levantamento da Scanntech, empresa de inteligência de dados que acompanha cerca de 13,5 bilhões de tíquetes anuais nos caixas de supermercados, aponta que as vendas efetivamente realizadas surpreenderam negativamente.
Segundo os dados, as vendas do varejo de alimentos em dezembro, considerando todos os formatos — de mercadinhos a atacarejos —, recuaram 5,5% em volume na comparação com o mesmo mês de 2024. Em faturamento, a queda foi menor, de 2,5%, reflexo do aumento médio de 3,2% no preço por unidade.
Ainda assim, o resultado chama atenção por ter sido o único mês de 2025 a registrar retração na receita anual do setor. O desempenho também rompe um padrão observado nos últimos três anos, quando dezembro sempre apresentou crescimento no faturamento, destaca Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech.
Para o executivo, o resultado reforça um movimento mais amplo de cautela do consumidor. Apesar da inflação mais comportada e do avanço da renda média, as famílias mantiveram uma postura defensiva nas compras, influenciadas pelo aumento do endividamento. Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento está a expansão das apostas online, que, segundo dados do Banco Central, movimentam mais de R$ 30 bilhões por mês.
O economista-chefe da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, acrescenta que o maior peso do consumo de serviços no orçamento das famílias também limita o gasto com alimentos. Atualmente, os serviços livres respondem por quase metade das despesas familiares, percentual bem superior ao registrado em 2008. No sentido oposto, a participação dos gastos com bens, como alimentos, vem encolhendo ao longo dos anos, conforme dados do IPCA ajustados pelo economista.
Além disso, Passarelli cita os juros elevados e a deterioração da confiança do consumidor como fatores que restringem as compras. A inflação segue como principal preocupação para cerca de metade da população, enquanto a percepção de perda do poder de compra influencia diretamente as decisões no supermercado. Diante desse cenário, os consumidores tendem a reduzir volumes, priorizar itens essenciais e intensificar a busca por promoções.
Com estoques elevados após a frustração das vendas em dezembro e o desempenho fraco da primeira quinzena de janeiro, redes de supermercados passaram a adotar campanhas promocionais mais agressivas. Embora a maioria das empresas tenha evitado comentar oficialmente, a reportagem constatou um grande volume de produtos em oferta nas lojas.
A rede Hirota, que possui 17 unidades na região metropolitana de São Paulo, informou ter programado uma ampla queima de estoque. Segundo o diretor Hélio Freddi, mais de 150 itens estão sendo vendidos com descontos que chegam a 50%. A estratégia inclui produtos de grande apelo, como ovos, café, cerveja e carnes. A expectativa é recuperar parte do desempenho perdido. “Estamos cerca de 4% abaixo da meta de janeiro, que tem sido um mês muito difícil”, afirmou.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)