Sábado, 21 de Fevereiro de 2026

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Tudo começou por um desvio comum no PT: nomear companheiros para cargos estratégicos, independentemente de conhecimento de causa, dedicação, competência profissional, caráter.

Até então, Dias Toffoli era um obscuro advogado do partido. Havia feito dois concursos para juiz, mas foi reprovado nos dois. A filiação e a fidelidade política renderam nada menos do que uma vaga no STF, indicado que foi pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por notório saber não foi, pois jamais se destacou como um estudioso, um intérprete qualificado da lei. Ao contrário: o seu nome apareceu mais comumente ligado a decisões polêmicas, discutíveis.

Lula, em meio aos rolos da Operação Lava jato, viu com tristeza que o ministro que ele apadrinhou havia se transformado em acusador implacável, na mesma faixa de atuação do Juiz Sérgio Moro. Lula nunca o perdoou.

Mais recentemente, Toffoli aceitou uma carona de jatinho para assistir à final da Copa Libertadores em Lima. Na mesma aeronave estava um advogado de diretor do Banco Master. Ato subsequente, e de forma estranha, o ministro do STF foi nomeado relator do caso que envolvia o banco de Daniel Vorcaro. Seu primeiro ato foi decretar o sigilo máximo do processo, fechando-o, pois, ao escrutínio da imprensa e do grande público.

Adiante, em decisão incomum, determinou à Polícia Federal que entregasse ao STF todos os documentos e provas até então coligidos, com o detalhe revelador que não poderiam ser analisados.

Cada decisão de Toffoli tinha um objetivo claro: blindar os suspeitos, dificultar e atrasar os procedimentos, apagar a luz para que ninguém pudesse perceber o que estava sendo investigado.

Mas em situação tão precária, nada fica em pé. Em breve descobriu-se que Toffoli era ou tinha sido sócio de um luxuoso resort no Paraná, e que a sua participação havia saído negociada pouco tempo antes. Com quem? Ora, com Vorcaro, com um fundo pertencente ao Banco Master.

Em algum momento vieram à tona documentos que comprometiam definitivamente o ministro do STF: havia recebido dinheiro do banqueiro falido. Pode-se dizer que a casa, que já andava balançando, acabou de cair. A posição de Toffoli ficou insustentável.

O ministro do STF ainda tentou algumas manobras, mas era tarde. Viu-se compelido a participar de uma reunião do colegiado convocada unicamente para tratar dos rolos onde havia se metido. Ao que se tem notícia, nunca houve reunião com tal objetivo na Corte.

Era para ser uma reunião secreta, mas já no dia seguinte os jornais estampavam trechos inteiros e literais do encontro. Teria sido Toffoli a vazá-los? Outro ministro? Um funcionário interno? O clima interno de confiança, que já estava por um fio, se esfacelou.

Toffoli acusou o presidente Lula da “traição”, mas na fatídica reunião também se viu que alguns colegas, com todos os fatos aqui narrados, e mais o que só eles sabem, passaram o pano, relativizaram, alinharam argumentos que “inocentavam” Toffoli. Prevaleceu o espírito de corpo – que uns chamam de espírito de porco – da Casa e Toffoli foi apenas afastado da relatoria.

Por enquanto, saiu barato, muito barato.

(titoguarniere@terra.com.br)

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