Quarta-feira, 04 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de março de 2026
O projeto apresentado pelo deputado estadual Pepe Vargas (PT), que prevê a isenção da cobrança de estacionamento hospitalar para pacientes em quimioterapia, radioterapia e hemodiálise, merece ser visto como mais do que uma proposta legislativa: é um gesto de humanização da saúde.
Quem enfrenta doenças graves sabe que o custo não se limita a medicamentos ou consultas. O deslocamento até os centros de referência, muitas vezes em capitais, já representa um desafio. Somar a isso a cobrança de estacionamento é impor uma barreira econômica a quem luta pela vida. O projeto reconhece essa realidade e busca aliviar um peso invisível, mas constante, no orçamento das famílias.
Críticos podem argumentar que hospitais privados perderiam receita. Mas é preciso lembrar que estacionamentos não são serviços de luxo: são parte do acesso ao tratamento. Garantir gratuidade para pacientes em terapias contínuas é reconhecer que saúde não pode ser condicionada a taxas adicionais. É uma questão de dignidade.
Outros estados já discutiram medidas semelhantes, mas poucas avançaram. O Rio Grande do Sul pode se tornar pioneiro ao vincular o benefício diretamente a tratamentos reconhecidos como contínuos e indispensáveis. Isso cria um modelo claro, que pode ser replicado em todo o país.
O Brasil precisa avançar em políticas que enxerguem o paciente em sua totalidade. Transporte, hospedagem e alimentação já foram contemplados em programas federais. Falta incluir o estacionamento, que, embora pareça detalhe, é custo recorrente e pesado. Transformar essa proposta em política nacional seria um passo decisivo para reduzir desigualdades no acesso à saúde.
O projeto de Pepe Vargas abre caminho para um debate maior: a saúde como direito integral. Isentar pacientes em tratamento contínuo da cobrança de estacionamento hospitalar é reconhecer que a luta contra a doença não deve ser agravada por barreiras financeiras. Mais do que uma medida prática, é um símbolo de solidariedade e justiça social. Se aprovado, pode inspirar o país a adotar políticas que coloquem o paciente no centro, onde sempre deveria estar. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)