Domingo, 15 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de março de 2026
A raposa e as uvas é uma antiga fábula atribuída a Esopo, reescrita pelo francês Jean de La Fontaine em 1668.
Séculos depois a fábula serviu para ilustrar a teoria da dissonância cognitiva do psicólogo norte americano Leon Festinger em 1957.
Com pequenas variações a fábula conta que uma raposa faminta tenta alcançar um suculento cacho de uvas em um parreiral, porém sem sucesso, depois de várias tentativas a raposa desiste e vai embora convencida que as uvas estavam verdes e por isso não as quis.
Festinger definiu a dissonância cognitiva como uma distorção da realidade dos fatos por uma pessoa ou grupo, criando uma fuga irreal para não sofrer as consequências das frustrações de algo que acreditavam ser verdade.
A não aceitação dos fatos reais e a criação de distorções da realidade para “acomodar” mentalmente suas convicções equivocadas.
“Quando a profecia falha” é a teoria de Festinger baseada em estudos do comportamento do “Grupo Moderno”, que em 1956 numa pequena comunidade próxima a Chicago que se autodenominava “Os Buscadores” que naquele ano previram o fim do mundo.
Venderam todos seus bens acreditando que o mundo iria acabar com data marcada de dia, mês e ano.
Após o evento ( fim do mundo) não ter ocorrido, o grupo passou a justificar que o motivo foi causado pela força de suas orações e passaram a acreditar nisso como verdade.
Segundo Festinger, grupos de pessoas que defendem por muito tempo uma falsa verdade e essa verdade falha, os indivíduos tendem a desenvolver verdades distorcidas (dissonância cognitiva) para não sofrer e ter que aceitar que a realidade é outra.
Faz lembrar a história de dois homens atravessando a pé um enorme deserto com calor absurdo:
Exclama um dos homens.
Retruca o outro.
O primeiro homem insiste em sua visão e segue afirmando a existência do lago, enquanto caminha segue afirmando estar vendo o lago.
Chegando no ponto do suposto lago o homem que afirmava diz :
O outro homem apanha a areia seca e joga um punhado no teimoso que exclama aos gritos ;
Tudo muito semelhante com o atual momento político que vivemos e que ainda iremos vivenciar nos desdobramentos da política brasileira.
Por hora, podemos afirmar que a dissonância cognitiva acompanha a civilização por séculos e aqui é mato!
Por outro lado existem pessoas de todas as classes sociais que enxergam com uma “ferramenta” que todos têm em comum:
O pragmatismo de não acreditar em opiniões ou retóricas sem fatos ou provas.
Exemplo :
Quando a autoridade prefere não investigar denúncias e se for o caso, inocentar um acusado injustamente e punir a falsa acusação.
Outro :
E não menos perverso, o direito do acusado de permanecer calado para não se auto incriminar. Uma retórica safada de quem não pode ou não quer dizer a verdade.
Voltando.
Com efeito, nos desdobramentos na política brasileira da atualidade a pergunta é :
Como proceder para que os “enganados” ou iludidos não sejam cooptados pela dissonância cognitiva e enxerguem a realidade com fatos e provas.
O psicólogo Festinger afirma que a melhor técnica para este tipo de ” cura” e superação de erros de avaliação é por auto convencimento .
Como assim ?
Ao invés de demonstrar superioridade moral ou intelectual ao incauto por sua avaliação errada, indague-o, faça-lhe perguntas de forma positiva sem demonstrar algum tipo de revanchismo intelectual ou revide.
Questionamentos para que as pessoas reflitam e aceitem a mudança, óbvio que não será sem sofrimento ou vergonha, mas levadas por sua própria consciência, se tiver.
Se não tem? O que você está fazendo ao seu lado?
O que considera melhor?
ou
Você decide!
Rogério Pons da Silva – Jornalista e empresário.