Sábado, 12 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de setembro de 2026
Documentos da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria tido conhecimento antecipado de que seria alvo da operação que resultou em sua prisão. Ele foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
Para os investigadores, uma sequência de mensagens, anotações e movimentações encontradas no celular do ex-banqueiro revela que informações sigilosas sobre a investigação chegaram até ele nas semanas anteriores à ação policial.
As informações constam de relatório da PF enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). A publicação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça a pedido de Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), em meio à grave crise institucional na Corte.
“Vorcaro tomou ciência prévia da operação policial deflagrada no dia 18/11/2025, acionando previamente a sua rede de contatos para mitigar seus efeitos, e empreendendo fuga no dia 17/11/2025, que acabou frustrada com sua prisão preventiva realizada no aeroporto de Guarulhos/SP, prestes a embarcar em voo internacional”, diz a PF no documento.
Os registros mostram que o acesso de Vorcaro a informações reservadas se intensificou à medida que a operação se aproximava. Em 17 de outubro de 2025, houve uma reunião restrita entre integrantes da Polícia Federal e do Banco Central para tratar das apurações sigilosas envolvendo o Master.
Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro registrou no aplicativo de notas de seu celular os nomes completos de delegados e agentes da PF e de procuradores da República envolvidos no caso.
Em 30 de outubro, o banqueiro fez uma nova anotação, intitulada “De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados”. No texto, afirmava que as informações recebidas eram 100% confiáveis por terem partido de pessoas que participavam diretamente das discussões e ressaltava que não poderia ‘queimá-los’.
Segundo a PF, os indícios de acesso a informações protegidas avançaram também sobre o que ocorria no Poder Judiciário. Em 16 de novembro, dois dias antes do cumprimento dos mandados, Vorcaro salvou uma anotação na qual perguntava se um interlocutor tinha proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, titular da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, responsável pelas medidas cautelares sigilosas da investigação.
Na manhã seguinte, véspera da operação, a movimentação de Vorcaro se intensificou. Às 7h28 de 17 de novembro, ele recebeu mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde. A partir daquele momento, segundo os registros analisados pelos investigadores, o banqueiro alterou seu roteiro e passou a organizar uma viagem para fora do país.
Paralelamente, mostram as investigações, Vorcaro manteve contato com o jornalista Diego Escosteguy, apontado pela PF como beneficiário de repasses financeiros do esquema. Pouco depois das 11h, o site O Bastidor publicou uma reportagem revelando a existência de inquérito contra o Banco Master na 10ª Vara Federal do Distrito Federal.
Vorcaro encaminhou a reportagem a Warde. O advogado, então, utilizou a publicação como fundamento para protocolar uma petição urgente em busca de acesso aos autos, que até aquele momento corriam sob sigilo. Em mensagens trocadas ao longo do dia, Warde afirmou a Vorcaro que estava infernizando o magistrado responsável pelo caso pelo WhatsApp.
Warde foi procurado, mas não quis se manifestar. A pessoas próximas o advogado já disse que soube por Vorcaro do inquérito e que recomendou que a defesa protocolasse uma petição formal para ter acesso aos autos e prestar esclarecimentos. A equipe jurídica já sustentou que não tinha conhecimento do mandado de prisão.
Escosteguy afirmou, em nota, que sua relação com os investigados sempre foi estritamente profissional. O jornalista também disse que, ao contrário do que indica representação da PF, a relação com o empresário citado nos autos sempre foi estritamente profissional, no âmbito da atividade jornalística. Afirmou ainda que os valores recebidos referem-se a contratos de patrocínio e publicidade, prática regular no mercado de comunicação.
“Uma simples leitura da referida matéria demonstra que não se antecipou ou insinuou qualquer operação ou medida cautelar contra quem quer que seja. Não houve direcionamento de conteúdo por parte de terceiros, tampouco qualquer comprometimento da autonomia jornalística”, disse.
Vorcaro buscava construir uma justificativa formal para deixar o Brasil ainda naquele dia. Segundo a investigação, ele acionou os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, apontados pela PF como cooptados pelo grupo, em uma conversa no WhatsApp. Os dois teriam atuado para viabilizar uma reunião virtual de emergência com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino.
A videoconferência foi realizada no início da tarde, sem gravação ou registro em ata. Nela, Vorcaro comunicou a suposta venda do Banco Master ao Grupo Fictor e afirmou que precisava viajar a Dubai naquela mesma noite para assinar contratos relacionados à operação. Com informações da Folha de S. Paulo.