Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de abril de 2026
Um cenário em que o conflito no Oriente Médio persista pode levar o dólar a cair para o nível de R$ 4,90 no fim deste ano, enquanto um ambiente de uma resolução rápida pode fazer o movimento oposto, levando a moeda americana ao patamar de R$ 5,25. Essa é a leitura feita por estrategistas do banco americano Wells Fargo sobre a projeção do desempenho de moedas globais em dois distintos cenários apresentados no relatório “Cartografia monetária: terapia de choque”.
No primeiro cenário projetado pelos estrategistas Erik Nelson, Chidu Narayanan, Alvaro Vivanco e Vanessa Chu, haveria resolução do conflito no curto prazo. Neste ambiente, o banco estima que o preço do petróleo se estabilizaria na faixa de US$ 85 a US$ 100 por barril. “O crescimento enfraquece de forma significativa na maioria das grandes economias, mas uma recessão é evitada. O crescimento global sofre uma leve queda (cerca de 0,1 ponto percentual), com maior impacto sobre grandes importadores líquidos de petróleo, como o Japão, e em menor grau a Europa”, diz.
Ainda neste ambiente de resolução rápida dos conflitos, em que o dólar poderia subir frente ao real, o banco aponta que moedas de mercados emergentes e de alto beta (maior volatilidade) tendem a se recuperar fortemente no início. “No entanto, há risco de um choque estagflacionário no segundo semestre, especialmente para moedas de maior beta com fundamentos mais fracos, à medida que bancos centrais do G10 elevarem juros ou demorarem mais para cortar, enquanto o crescimento econômico enfraquece.”
No segundo cenário desenhado pelo banco americano, de conflito persistente, o preço do petróleo se estabilizaria na faixa de US$ 130 a US$ 150 por barril, com recessões na maioria das grandes economias. “Europa, Reino Unido e Japão entram em recessão, enquanto os EUA atingem um ponto crítico que pode levá-los à recessão. A inflação nas economias avançadas aumenta vários pontos percentuais”, segundo o documento.
Nesse contexto de guerra persistente, o banco diz que haveria aumentos mais agressivos das taxas de juros tanto nas economias desenvolvidas quanto nos mercados emergentes, em meio a um grande choque estagflacionário. “As altas de juros em economias do G10 fora dos EUA inicialmente oferecem algum suporte às moedas desses países, mas, com o tempo, o impacto negativo sobre o crescimento tende a prevalecer”, diz trecho do texto.
“A combinação de juros nominais mais altos com crescimento mais fraco é particularmente prejudicial para moedas de mercados emergentes e de alto beta, embora alguns exportadores de energia possam continuar se valorizando.” E é justamente isso que tende a beneficiar o real: ser uma moeda de juros altos e exportadora de energia.
O documento apenas faz projeções sobre o câmbio brasileiro, não especificando o motivo pelo qual o banco vê um cenário mais construtivo para o real em um ambiente de piora da guerra. A reportagem, porém, questionou Alvaro Vivanco, estrategista para mercados emergentes do banco, sobre a estimativa, e ele confirmou a leitura.
“Está correto. Acreditamos que, em um cenário de preços elevados e sustentados do petróleo bruto, o real brasileiro teria um bom desempenho principalmente por dois motivos: primeiro, as contas externas melhorariam devido à exposição às commodities; segundo, o Banco Central poderia adotar uma postura mais agressiva em relação à inflação, dada a pressão sobre a economia.”
Questionado se a percepção de risco poderia pressionar o câmbio em um ambiente de piora da guerra, Vivanco diz que é difícil estimar o equilíbrio entre o efeito da valorização dos preços de energia e o movimento de aversão ao risco e fortalecimento do dólar, pois dependerá de quão ordenado será o movimento nos preços do petróleo.
“Ainda assim, de forma geral, acreditamos que o real seria um dos beneficiários, especialmente se o Federal Reserve (Fed) não elevar as taxas de juros”, aponta, acrescentando que essa projeção considera um cenário eleitoral no Brasil bem apertado. “Mas acreditamos que os riscos estão levemente inclinados para um resultado positivo para o mercado.” Com informações do portal Valor Econômico.