Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de janeiro de 2026
O dólar despencou mais de 10% em 2025 no melhor ano para o real desde 2016. E, se para o ano passado as previsões (erradas) eram pessimistas, com a moeda norte-americana acima dos R$ 6, para 2026, os bancões esperam um cenário de alívio ainda maior para o real.
Alguns dos motivos que fortaleceram a divisa brasileira contra a norte-americana devem continuar ao longo de 2026, segundo especialistas ouvidos pelo Valor Investe. No entanto, há o fator eleição que entra nessa conta e que deve trazer volatilidade aos mercados.
O chamado “carry trade”, que nada mais é do que tomar dinheiro num país com taxa de juros baixa (como a americana) e aplicar a quantia em outra paragem que pague retornos maiores (caso do Brasil), deve ser um deles. A expectativa é que o Copom só comece a cortar a Selic, atualmente em 15%, a partir de março de 2026, mantendo o diferencial de juros atrativo no curto prazo.
Outro fator relevante é a política monetária americana. O Federal Reserve (Fed, BC dos EUA), que iniciou um ciclo de flexibilização monetária em 2025, deve promover novos cortes de juros em 2026, o que tende a pressionar o dólar globalmente.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o cenário-base aponta para um dólar mais fraco no mundo. “A curva de juros já embute ao menos dois cortes adicionais no próximo ano, o que pode gerar pressão negativa adicional sobre a moeda americana”, afirma.
Por outro lado, apesar do ambiente externo favorável, o risco eleitoral no Brasil surge como um fator de cautela. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o efeito positivo do diferencial de juros tende a ser temporário e pode, inclusive, perder força em 2026 com a proximidade das eleições.
“Afinal de contas há um risco muito grande: um cenário eleitoral binário, que ninguém sabe dizer muito bem o que pode acontecer e que tende a impactar o câmbio”, diz ele.
Para os especialistas, esse ambiente tende a limitar uma apreciação mais forte do real, com os movimentos do câmbio dependendo do desfecho eleitoral e da agenda econômica do novo governo.
Já a Ágora destaca que a diversificação das reservas globais, o fortalecimento de moedas ligadas a commodities e a busca por maior autonomia financeira em várias regiões contribuem para um dólar mais fraco globalmente.
Projeções
Confira as projeções do dólar (R$/US$) ao fim de 2026 das seguintes instituições financeiras:
• Ágora – R$ 5,50
• Santander – R$ 5,90
• Banco Pine – R$ 5,20
• XP – R$ 5,50
• Banco Inter – R$ 5,45
• Itáu – R$ 5,50
• BB Investimentos – R$ 5,50
• BTG Pactual – R$ 5,20