Quarta-feira, 18 de Maio de 2022

Home Esporte Dos jogos para as pistas: como um gamer se tornou piloto na Fórmula 2 ao fazer a transição de competições de videogame para as pistas reais

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Em março, a largada da nova temporada da Fórmula 2, principal categoria de acesso para a Fórmula 1, vai estar um pouco mais próxima dos jogos de videogame, que viram ligas de e-sports voltadas ao automobilismo crescerem nos últimos anos.

Atrás do volante, com o pé no pedal e olho nas luzes, o piloto turco Cem Bolukbasi, de 24 anos, vai ser um dos 22 aspirantes tentando mostrar talento. Porém, ao contrário dos rivais, ele não passou boa parte da vida em pistas de corrida – não no mundo real. Bolukbasi começou a carreira em simuladores de corrida e se tornará o primeiro piloto a sair do mundo dos games direto para as pistas reais.

Correndo pela equipe Charouz, Bolukbasi vai ter o desafio não apenas de provar o quão fiel pode ser um game às pistas reais, mas também se tem as mesmas habilidades de um piloto de formação no asfalto. A empolgação é nítida – a confiança, também. Isso porque, com a experiência das ligas oficiais de Fórmula 1 online, o turco já conhece muitas das ‘manhas’ para conduzir um monoposto de verdade.

“Os pontos básicos são bem similares, porque correr é esterçar o volante e operar os pedais, que são iguais no simulador e na vida real. Por conta da tecnologia atual, os jogos estão ficando cada vez mais realistas. A sensação que você tem quando está no jogo está cada vez mais perto da vida real”, afirma Bolukbasi, em entrevista ao Estadão.

Embora não sejam tão apurados quanto os simuladores desenvolvidos para testes de equipes profissionais, os emuladores usados nas competições de e-sports têm muitas semelhanças com um carro de verdade. Várias delas estão no cockpit, que imita não só a posição do piloto, mas também algumas das sensações e vibrações que podem ser experimentadas. Além disso, pontos de freada e aceleração são bem próximos dos reflexos necessários quando os pilotos vão para o asfalto.

Para construir um simulador, é necessário um escaneamento da pista que permite reproduzir o modelo exato no computador. Esse processo é feito com câmeras e sensores Lidar (presentes também no iPhone), que determinam profundidade e fazem mapeamento 3D do ambiente. Com isso, é possível capturar detalhes do traçado e do entorno do autódromo.

Depois de capturadas, as imagens passam por uma edição computadorizada que une os dados de escaneamento com dados coletados em atividades reais na pista. Essa etapa permite que o circuito virtual ganhe características mais precisas na hora de pilotar o simulador. Só então são adicionados controles motores no assento e no volante, reproduzindo algumas das respostas que o piloto pode encontrar na pista — mesmo sem replicar fatores como impacto e ação da força G sobre o piloto, os simuladores acabam com um nível alto de proximidade com a vida real.

“Foi diferente estar em um carro de verdade, mas eu competi em pistas que eu já conhecia muito bem dos torneios online. A minha primeira sensação foi de pensar que os simuladores estão, de fato, próximos da vida real, porque eu nunca tinha andado naquelas pistas antes. E foi algo bom, porque, se não fosse minha carreira online, eu não teria como competir com pilotos que já eram experientes por terem passado por categorias juniores. Isso me mostrou o quão realista os jogos têm se tornado”, explica Bolukbasi.

Carreira

O caminho para os jogos online não foi uma escolha deliberada de Bolukbasi. A troca das pistas de kart, quando era criança, para o mundo virtual ocorreu quando a família do piloto descobriu os custos para arcar uma carreira no exterior.

“Eu competi em alguns torneios de kart em nível nacional quando eu tinha uns 7 anos. Fiquei alguns anos nesses campeonatos, mas, no geral, é um esporte muito caro. Então, quando percebemos o quanto realmente ia custar para competir em categorias juniores, desistimos. Foi aí que comecei a participar de campeonatos de e-sports, porque não queria parar de correr”, explica Bolukbasi.

O sucesso, que começou com um Playstation 3 e controles do tipo joystick, levou o turco para competições oficiais de e-sports, como piloto de equipes renomadas como McLaren e Red Bull (na sua equipe B, a Toro Rosso).

Não demorou para que o piloto voltasse às pistas e ganhasse a chance na F2. A carreira, iniciada em 2013 no mundo virtual, abriu espaço para competições juniores de automobilismo no mundo real, como Euroformula, Fórmula Asiática e GT4 Europeia, onde, desde 2020, conquistou o top 10 no campeonato em todas as competições — incluindo um vice-campeonato.

“No final de 2019, tive uma oferta para competir em algumas corridas pela equipe turca BOM na GT4. Me disseram: ‘ok, se você consegue dirigir assim nos simuladores vamos ver o que você é capaz de fazer em um carro de verdade’. Para mim foi uma oportunidade enorme, mas, obviamente, eu não tinha experiência em pistas reais, não tinha muita experiência nem em carros de rua, no trânsito. Mas correu tudo bem, me classifiquei em terceiro na primeira corrida e terminamos no pódio na segunda”, conta.

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