Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de janeiro de 2026
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que não há “condição” de retornar ao Brasil neste momento, após a Polícia Federal determinar seu retorno imediato ao cargo de escrivão em Angra dos Reis (RJ). Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que não pretende abrir mão do posto “de mãos beijadas” e classificou a medida como parte de uma perseguição política.
Eduardo vive desde o início do ano nos Estados Unidos e em dezembro teve seu mandato na Câmara cassado por excesso de faltas. O ato declaratório da Polícia Federal, assinado pelo diretor de gestão de pessoas da PF substituto, Licinio Nunes de Moraes Netto, declara o fim do afastamento de Eduardo do cargo na PF para exercer o mandato.
A decisão tem como base o ato da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados que declarou a perda de seu mandato, em dezembro, por faltas não justificadas durante o período em que permaneceu no exterior. Dessa forma, o ex-deputado deveria voltar à atividade na PF. Se descumprir a medida, Eduardo fica sujeito a procedimentos administrativas e disciplinares.
“É óbvio que eu não tenho condições de retornar ao Brasil agora. Vocês estão vendo Jair Bolsonaro, mesmo após duas cirurgias, dias depois retorna para a carceragem da Polícia Federal”, afirmou o ex-deputado, em vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais. Eduardo faz referência ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
Crime de coação
“Querem me prejudicar”, declarou, ao mencionar também a possibilidade de perder a pistola institucional que ainda mantém registrada.
Eduardo voltou a alegar que é alvo de perseguição e fez duras críticas à cúpula da Polícia Federal. Em publicação escrita, afirmou que não abriria mão de sua “honra” para se submeter, segundo ele, aos “caprichos” da direção da corporação, usando termos ofensivos para se referir à instituição.
A situação funcional do filho Zero Três de Bolsonaro se soma a um contexto mais amplo de embates políticos. Ele responde a investigações no Brasil relacionadas à atuação no exterior, incluindo tentativas de pressionar autoridades estrangeiras em favor do pai, e tem mantido discurso de denúncia internacional contra o Supremo Tribunal Federal e órgãos do Estado brasileiro.
Até o momento, não há decisão judicial suspendendo os efeitos da portaria da Polícia Federal. Caso não se apresente, o ex-deputado poderá ficar sujeito a sanções administrativas previstas no regime disciplinar da corporação. Com informações do Valor Econômico.