Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Home Economia Efeito Lojas Americanas gera desconfiança em balanços das empresas

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Ambev

Nas últimas semanas, após o caso da lojas Americanas, analistas de mercado e muitos investidores começaram a ler com muita atenção documentos das empresas listadas na Bolsa de Valores do Brasil.

Tratam-se de documentos públicos e que qualquer pessoa pode acessar e saber mais da vida das empresas. É um comportamento novo. E muita gente que comprou ações dessas empresas nem sempre entendem.

Mesmo os releases e comunicação de Fato Relevante não permitem ao investidor detectar alguma coisa errada. Até porque nos relatórios trimestrais é natural que a empresa se esforce para mostrar boa performance e resultados.

Isso foi o caso das lojas Americanas, onde os informes mostravam uma empresa muito boa e que não tinha dificuldades em atrair investidores e vender suas debêntures como fez até o dia em que o novo presidente, Sérgio Rial comunicou sua renúncia ao cargo, apenas 12 dias após assumir a empresa.,

De um dia para o outro, os investidores começaram a lidar com expressões como inconsistências contábeis, risco sacado e antecipação de Recuperação Judicial.

Para muitos investidores foi um choque. A Americanas tem quase 100 anos, está na bolsa há décadas e sempre pagou bons dividendos.

Esta semana, ao menos, duas grandes empresas precisaram lidar com a ameaça de perderem acionistas e investidores por força de ataques de concorrentes ou de informações na Internet.

Ambev

O caso mais forte foi o Ambev que foi acusada de dever R$ 30 bilhões de impostos por uma entidade de pequenos concorrentes que acusam a empresa há anos de práticas anti-concorrenciais. A associação de fabricantes de refrigerantes acusou a Ambev de não provisionar dividas com o Fisco escondendo isso dos acionistas.

A empresa precisou enviar à CVM um Fato Relevante afirmando que discute seus direitos na Justça e por isso não pode colocar isso como provisão de perdas. A Ambev, como se sabe, tem entre seus acionistas líderes os mesmos acionistas da Americanas.

Oi

O caso da Oi foi mais um que assustou o mercado porque a empresa está se preparado para pedir uma nova Recuperação Judicial depois que não conseguiu vender ativos e ficar sem caixa. A Oi tem vários negócios especialmente com banda larga depois que saiu da telefonia fixa e móvel.

Tudo isso tem a ver com o clima que o mercado passou a viver. Empresas estão cada vez mais se esforçando para dizer suas contas estão forte e são seguras e auditadas. Mas esse é apenas um dos efeitos da Recuperação Judicial da Americanas.

No fundo o que aconteceu foi que o que a empresa chama de inconsistências contábeis pode ser a ponta de um icebergue de várias outras empresas listadas em bolsa que estão sendo agora escrutinadas por seus investidores.

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