Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home Brasil Efeitos da pandemia: procura por atendimento psicológico dispara nos últimos meses em várias cidades brasileiras

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A procura por atendimento psicológico disparou nos últimos meses em várias cidades brasileiras. Esse é mais um dos efeitos da pandemia. “Não tinha como pagar aluguel, não tinha como pagar nada, comprar as coisas pra dentro de casa. E aí aquilo ali vai te dando uma angústia, sabe? Triste… Uma tristeza!”, conta Rosimerie Gomes, cuja palavra pandemia é sinônimo de muita dificuldade.

Ela buscou uma consulta psicológica num posto de saúde em Porto Alegre há um ano. “Eles colocam a gente numa fila. E aí tem que esperar quando surgir alguma vaga, alguma coisa eles chamam a gente, mas é difícil”, ressalta a auxiliar de serviços gerais.

Depois de tantos impactos na saúde física, nas finanças, esse é mais um dos danos que a pandemia trouxe: o adoecimento mental. Só que nem sempre é fácil pagar por um tratamento desses. O jeito é recorrer ao Sistema Público de Saúde – que viu a procura por este tipo de atendimento dar um salto em todo o País.

Na cidade do Rio de Janeiro, o número de atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, subiu mais de 50% entre março de 2019 e o mesmo período deste ano. No Recife, desde a pandemia, a alta é de 30%, especialmente em casos de transtornos do humor, de ansiedade e dependência química.

Em Porto Alegre, a busca se multiplicou, mais de cinco vezes no início deste ano, comparado ao mesmo período pré-pandemia. A prefeitura de Porto Alegre diz que está investindo na ampliação da rede.

“É fundamental que a gente coloque, sim, mais equipes, estamos nos adaptando a centros de especialidade. O Ministério da Saúde lançou aí um programa de incentivo, e esses centros de especialidade eles serão apoio às unidades primárias em saúde”, destaca Fernando Ritter, secretário de Saúde de Porto Alegre.

Os especialistas em saúde mental afirmam que a explosão da procura por esse tipo de atendimento é um sinal de alerta ao poder público. “Sem dúvida é um investimento agora né? Da gente conseguir acolher e abarcar todas as pessoas que estão nesse sofrimento. A partir dessa experiência é importante que a gente repense as nossas políticas de saúde”, conta a psiquiatra Lorena Caleffi.

A Raquel conseguiu atendimento. Ela perdeu o marido para a covid. “Aí vem as crises de choro, vem a ansiedade de uma maneira muito difícil de controlar”, relata. Ela recebeu ajuda num Centro de Atenção Psicossocial mantido pela prefeitura – há apoio de profissionais de saúde e atividades em grupo.

“A gente discute em equipe um plano terapêutico para este usuário, e a gente vai atender ele novamente e vai mostrar pra ele quais as possibilidades que a gente tem de atendimento dentro desse serviço”, pondera Fernanda Farina, coordenadora do CAPS.

“Consegui controlar a minha ansiedade. Hoje em dia eu estou conversando contigo aqui, não estou tão ansiosa. Se fosse antigamente, estaria aqui no estado que eu não conseguia nem falar eu ia gaguejar né? A reportagem te deixa nervosa, muito nervosa, muito ansiosa… Eu não ia nem falar”, destaca Raquel.

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