Quinta-feira, 11 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de junho de 2026
O fenômeno climático El Niño já está em curso e pode se tornar um dos mais intensos desde o início dos registros modernos. O alerta foi feito nesta quinta-feira pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que aponta risco de agravamento de eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta.
Caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico na faixa equatorial, o El Niño altera os padrões climáticos globais e influencia temperaturas, regimes de chuva e a ocorrência de fenômenos extremos.
Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de que o atual episódio alcance intensidade suficiente entre o fim do outono e o início do inverno no Hemisfério Norte para figurar entre os mais fortes já registrados desde 1950.
Especialistas afirmam que o fenômeno tende a elevar ainda mais as temperaturas globais, que já vêm sendo pressionadas pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa. As projeções indicam que o atual El Niño poderá rivalizar ou até superar o evento de 1997, considerado um dos mais severos da história recente.
“As águas profundas e quentes associadas ao El Niño trazem calor adicional para a superfície, alimentando uma série de eventos extremos em várias regiões do mundo”, afirmou Abby Frazier, cientista climática da Universidade Clark, em entrevista à Associated Press.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também manifestou preocupação com o fenômeno.
“As condições de El Niño vão jogar mais combustível no fogo de um mundo em aquecimento”, declarou.
Impactos ao redor do mundo
Os efeitos do El Niño variam conforme a região. No Oceano Atlântico, o fenômeno costuma reduzir a atividade da temporada de furacões, enquanto no Pacífico ocorre o oposto, aumentando o risco de tempestades.
Na costa oeste da América do Sul, são esperadas chuvas intensas, enchentes e temperaturas acima da média. Já na Índia, meteorologistas projetam ondas de calor mais severas.
A Austrália pode enfrentar um cenário de seca prolongada, incêndios florestais e calor extremo. No nordeste da África, áreas que sofrem com estiagens podem registrar fortes chuvas e inundações.
Nos Estados Unidos, o fenômeno geralmente provoca tempestades mais intensas e aumento dos volumes de chuva na região sul do país. Por outro lado, algumas áreas agrícolas podem ser beneficiadas pelas mudanças climáticas temporárias associadas ao fenômeno.
Riscos econômicos e sociais
Embora alguns efeitos possam trazer benefícios localizados, cientistas alertam para os impactos econômicos do aumento das temperaturas.
Marshall Burke, economista climático da Universidade Stanford, afirma que há evidências de que temperaturas acima da média reduzem o ritmo de crescimento econômico.
“Temos evidências bastante claras de que a economia americana cresce mais lentamente quando as temperaturas ficam acima do normal”, disse.
Pesquisadores avaliam ainda que 2027 poderá se tornar o ano mais quente já registrado, impulsionado pelos efeitos do atual El Niño.
O cenário se soma a outros fatores de pressão sobre a economia global, como a alta dos preços da energia e os impactos de conflitos internacionais sobre cadeias de abastecimento.
Para Laurie Laybourn, diretora da Strategic Climate Risks Initiative, os efeitos podem ir além das questões ambientais.
“Podemos ver um aumento da pobreza, da desnutrição, dos conflitos, do endividamento e de diversos impactos em cascata”, afirmou.
A NOAA continuará monitorando a evolução do fenômeno nos próximos meses, período considerado decisivo para determinar se o atual El Niño entrará para a lista dos episódios mais intensos já observados.