Sexta-feira, 19 de Julho de 2024

Home Variedades Elenco de “Oppenheimer” se derrete pelo diretor do longa, Christopher Nolan

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Em “Oppenheimer”, uma das estreias mais esperadas do ano, Cillian Murphy vive o personagem-título, um dos pais da bomba atômica. O filme de Christopher Nolan gira em torno dos questionamentos feitos pelo brilhante físico e comandante civil do Projeto Manhattan durante a Segunda Guerra Mundial após a morte de milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki.

O mesmo brilhantismo que foi decisivo para o fim do conflito levou o planeta à Guerra Fria e à ameaça, ainda presente, como se vê tanto na invasão russa da Ucrânia quanto na constante tensão entre as duas Coreias, da destruição em massa no planeta.

No set de filmagem, Murphy e dois de seus colegas de elenco, Matt Damon, que vive o general Leslie Groves, o homem que convocou Oppie, como era chamado pelos amigos, para comandar o esforço ianque pela bomba atômica como ergueu o Pentágono, e Emily Blunt, Kitty Oppenheimer, mãe dos dois filhos do cientista, conversaram sobre a aventura de “Oppenheimer”. E falaram sobre filmar com Nolan (“Ele é tão inglês, mas tão inglês, que lembra um tio meu”, diz a atriz), o mix de estilos do filme (“É cinebio sim, mas também um monte de outras coisas, inclusive filme de terror”, diz o protagonista) e a até revelam uma particularidade hilária da escalação de parte crucial do elenco.

Veja os principais trechos da conversa a seguir:

História com H

Murphy: “Oppenheimer” tem que ser visto no cinema, de preferência em IMAX, sem interrupção. Mas para além da câmera ousada do Christopher Nolan e dos efeitos, o que faz o filme de fato necessário é que ele trata do nosso mundo, bem real, da História. Ele escava o sentido da humanidade e nossa responsabilidade enquanto indivíduos. O que a gente faz com o poder que desenvolvemos? Nesse caso, claro, é uma arma extremamente poderosa e com capacidade destrutiva. Se não estou errado foi o (François) Truffaut que disse que a gente vê filmes não apenas para escapar de nossa realidade, mas para aprender sobre ela. “Oppenheimer” é incrivelmente divertido, mas, creio, também te faz refletir sobre a vida. E pensar que vivemos em uma era de ameaça nuclear que começou com aquele homem, aquele grupo de cientistas, naquele momento. Oppenheimer é um personagem que de fato mudou o mundo, e nos debatemos hoje na realidade que ele ajudou decisivamente a construir. Não é pouco.

Nolan

Murphy: Ele é o diretor ideal. É o cara que escreve, dirige e produz o que quer. Visualmente, é espetacular, e sabe mesmo dirigir atores. São poucos os que unem tudo isso. Como trabalhei com ele anteriormente (na trilogia “Batman”, em “Dunkirk” e “A origem”) posso dizer que o vi evoluir, ficando mais e mais seguro sobre os enredos que queria desenvolver. E mais e mais hábil em fazer cinemão que surpreende o público. Ele pensa que quem está na poltrona é inteligente, não subestima a audiência, não passa a mão na cabeça de ninguém nem quer levar as pessoas pela mão. E a recompensa sempre vale o esforço. Aprendi muito com ele. Trabalhar com ele mudou minha vida, e não só profissionalmente. Quero mais.

Damon: O nível de detalhamento na direção dele é uma coisa de outro mundo, como Stanley Kubrick. E ele é aquele cara cultíssimo, que pesquisou até o fio de cabelo, e que também entende a dinâmica entre cada um dos personagens e como transformar isso no núcleo do filme que ele quer fazer. O livro que o encantou e que ele adaptou (“Oppenheimer: o triunfo e a tragédia do Prometeu americano”, de Kai Bird e Martin J. Sherwin) é denso pacas, completíssimo. E ele, sei lá como, conseguiu incluir tudo no filme, cada tomada contém quilos de informação, sem cansar. E outra coisa: você pode ver “Oppenheimer” dez vezes e cada vez encontrará um filme diferente.

Blunt: Eu não acho que ele seja “exigente”, como algumas pessoas dizem. Ele é curioso e verdadeiramente interessado no que você traz pro jogo. Ora, ele te faz entender os motivos pelos quais ele achou que você deveria fazer aquele papel. E, claro, quer ver sim as asas que ele achou que você teria para voar com ele. Acho isso muito bom.

Damon: Hummm…eu acho que ele é exigente em relação a determinados detalhes.

Blunt: Sim, você tem razão. E eu quero trabalhar com diretores que dão o suor por cada detalhe, justamente porque conseguem ver o todo. E sim, ele é uma autoridade no set. Pra ficar claro: Chris é calmo ao extremo, mas tenho certeza que tem uma tempestade de informações dentro dele, mesmo com o exterior sereno. E as pessoas não têm a menor ideia do quanto engraçado ele é. Mesmo. Ele é inglês (como eu) ao extremo. Quando gosta de um take nunca demonstra de forma exagerada, mas com um “Bom. Sim. Legal. Vamos pra próxima”. Eu nunca disse isso pra ele, mas ele é as fuças do meu tio (risos).

Escalação

Blunt: Eu descobri que iria viver Kitty da forma mais singular. Eu e o Matt (Damon) moramos no mesmo prédio em Nova York. E o Matt veio aqui em casa conversar com meu marido (o ator e diretor John Krasinski) logo depois de receber o roteiro do Chris…

Damon: E ele sabia que iria falar com a Emily também, mas não queria parecer que estava aproveitando a viagem. Mas aí ele encontrou por acaso com o John no elevador, conversaram por meia hora e deixou escapar que iria convidá-la. Só que demorou cinco dias e combinou um encontro com ela na casa dele em Los Angeles. Acho que ele não queria que alguém falasse “mas quem mais nesse prédio ele vai escalar pro novo filme dele?”.

Cinebio 

Murphy: “Oppenheimer” também é um thriller, uma história de amor, e, para mim, tem elementos de filmes de terror também. E esse mix aproxima ainda mais o público. Isso sem falar em ser um filme de época, né? Não sei o quão familiarizadas as pessoas são de fato com os anos 1940, mas é uma viagem no tempo também. E o ritmo do thriller é singular, te pega no laço desde o primeiro take e não te deixa respirar. E isso é bom pacas.

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Em “Oppenheimer”, uma das estreias mais esperadas do ano, Cillian Murphy vive o personagem-título, um dos pais da bomba atômica. O filme de Christopher Nolan gira em torno dos questionamentos feitos pelo brilhante físico e comandante civil do Projeto Manhattan durante a Segunda Guerra Mundial após a morte de milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki.

O mesmo brilhantismo que foi decisivo para o fim do conflito levou o planeta à Guerra Fria e à ameaça, ainda presente, como se vê tanto na invasão russa da Ucrânia quanto na constante tensão entre as duas Coreias, da destruição em massa no planeta.

No set de filmagem, Murphy e dois de seus colegas de elenco, Matt Damon, que vive o general Leslie Groves, o homem que convocou Oppie, como era chamado pelos amigos, para comandar o esforço ianque pela bomba atômica como ergueu o Pentágono, e Emily Blunt, Kitty Oppenheimer, mãe dos dois filhos do cientista, conversaram sobre a aventura de “Oppenheimer”. E falaram sobre filmar com Nolan (“Ele é tão inglês, mas tão inglês, que lembra um tio meu”, diz a atriz), o mix de estilos do filme (“É cinebio sim, mas também um monte de outras coisas, inclusive filme de terror”, diz o protagonista) e a até revelam uma particularidade hilária da escalação de parte crucial do elenco.

Veja os principais trechos da conversa a seguir:

História com H

Murphy: “Oppenheimer” tem que ser visto no cinema, de preferência em IMAX, sem interrupção. Mas para além da câmera ousada do Christopher Nolan e dos efeitos, o que faz o filme de fato necessário é que ele trata do nosso mundo, bem real, da História. Ele escava o sentido da humanidade e nossa responsabilidade enquanto indivíduos. O que a gente faz com o poder que desenvolvemos? Nesse caso, claro, é uma arma extremamente poderosa e com capacidade destrutiva. Se não estou errado foi o (François) Truffaut que disse que a gente vê filmes não apenas para escapar de nossa realidade, mas para aprender sobre ela. “Oppenheimer” é incrivelmente divertido, mas, creio, também te faz refletir sobre a vida. E pensar que vivemos em uma era de ameaça nuclear que começou com aquele homem, aquele grupo de cientistas, naquele momento. Oppenheimer é um personagem que de fato mudou o mundo, e nos debatemos hoje na realidade que ele ajudou decisivamente a construir. Não é pouco.

Nolan

Murphy: Ele é o diretor ideal. É o cara que escreve, dirige e produz o que quer. Visualmente, é espetacular, e sabe mesmo dirigir atores. São poucos os que unem tudo isso. Como trabalhei com ele anteriormente (na trilogia “Batman”, em “Dunkirk” e “A origem”) posso dizer que o vi evoluir, ficando mais e mais seguro sobre os enredos que queria desenvolver. E mais e mais hábil em fazer cinemão que surpreende o público. Ele pensa que quem está na poltrona é inteligente, não subestima a audiência, não passa a mão na cabeça de ninguém nem quer levar as pessoas pela mão. E a recompensa sempre vale o esforço. Aprendi muito com ele. Trabalhar com ele mudou minha vida, e não só profissionalmente. Quero mais.

Damon: O nível de detalhamento na direção dele é uma coisa de outro mundo, como Stanley Kubrick. E ele é aquele cara cultíssimo, que pesquisou até o fio de cabelo, e que também entende a dinâmica entre cada um dos personagens e como transformar isso no núcleo do filme que ele quer fazer. O livro que o encantou e que ele adaptou (“Oppenheimer: o triunfo e a tragédia do Prometeu americano”, de Kai Bird e Martin J. Sherwin) é denso pacas, completíssimo. E ele, sei lá como, conseguiu incluir tudo no filme, cada tomada contém quilos de informação, sem cansar. E outra coisa: você pode ver “Oppenheimer” dez vezes e cada vez encontrará um filme diferente.

Blunt: Eu não acho que ele seja “exigente”, como algumas pessoas dizem. Ele é curioso e verdadeiramente interessado no que você traz pro jogo. Ora, ele te faz entender os motivos pelos quais ele achou que você deveria fazer aquele papel. E, claro, quer ver sim as asas que ele achou que você teria para voar com ele. Acho isso muito bom.

Damon: Hummm…eu acho que ele é exigente em relação a determinados detalhes.

Blunt: Sim, você tem razão. E eu quero trabalhar com diretores que dão o suor por cada detalhe, justamente porque conseguem ver o todo. E sim, ele é uma autoridade no set. Pra ficar claro: Chris é calmo ao extremo, mas tenho certeza que tem uma tempestade de informações dentro dele, mesmo com o exterior sereno. E as pessoas não têm a menor ideia do quanto engraçado ele é. Mesmo. Ele é inglês (como eu) ao extremo. Quando gosta de um take nunca demonstra de forma exagerada, mas com um “Bom. Sim. Legal. Vamos pra próxima”. Eu nunca disse isso pra ele, mas ele é as fuças do meu tio (risos).

Escalação

Blunt: Eu descobri que iria viver Kitty da forma mais singular. Eu e o Matt (Damon) moramos no mesmo prédio em Nova York. E o Matt veio aqui em casa conversar com meu marido (o ator e diretor John Krasinski) logo depois de receber o roteiro do Chris…

Damon: E ele sabia que iria falar com a Emily também, mas não queria parecer que estava aproveitando a viagem. Mas aí ele encontrou por acaso com o John no elevador, conversaram por meia hora e deixou escapar que iria convidá-la. Só que demorou cinco dias e combinou um encontro com ela na casa dele em Los Angeles. Acho que ele não queria que alguém falasse “mas quem mais nesse prédio ele vai escalar pro novo filme dele?”.

Cinebio 

Murphy: “Oppenheimer” também é um thriller, uma história de amor, e, para mim, tem elementos de filmes de terror também. E esse mix aproxima ainda mais o público. Isso sem falar em ser um filme de época, né? Não sei o quão familiarizadas as pessoas são de fato com os anos 1940, mas é uma viagem no tempo também. E o ritmo do thriller é singular, te pega no laço desde o primeiro take e não te deixa respirar. E isso é bom pacas.

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